Belinati fala ao MP e nega acusações
Lucilia Okamura
De Londrina
O prefeito Antonio Belinati (PFL) afirmou ontem, durante depoimento ao Ministério Público (MP), desconhecer as irregularidades no chamado escândalo AMA-Comurb. O prefeito disse que os secretários tinham autonomia administrativa. Ele negou ainda desvio de dinheiro público para pagamento de gastos com a campanha eleitoral de 98.
O prefeito foi ouvido por sete horas em seu gabinete pelos promotores Cláudio Esteves e Solange Vicentin, na qualidade de investigado pelo MP. Há um ano, a promotoria apura denúncias de desvio de dinheiro público principalmente na Autarquia do Meio Ambiente (AMA) e na Companhia de Urbanização de Londrina (Comurb). Até agora, a promotoria descobriu desvios de pelo menos R$ 16 milhões dos cofres públicos.
Segundo o advogado de Belinati, João Alberto Graça, o depoimento, que começou às 15h45 e só terminou às 22h50, foi tranquilo, embora demorado. Ele deixou bem claro a autonomia administrativa de cada autarquia e companhia, informou o advogado. O argumento coincide com o que havia sido antecipado pela Folha na semana passada.
De acordo com o promotor Cláudio Esteves, dentro do possível foram conseguidas as informações desejadas. Esteves, porém, considerou frágeis as informações repassadas por Belinati sobre gastos de campanha. O ex-diretor-administrativo-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso, acusa o prefeito de ser o responsável pelos desvios e pela utilização do dinheiro para cobrir despesas das eleições de 98.
Os promotores informaram que Belinati apresentou alguns documentos como balancetes e quadros de despesas da prefeitura. Esteves e Solange não descartam a possibilidade de o prefeito ser ouvido outras vezes.
Segundo o promotor, o prefeito pediu para que seu depoimento, de 13 páginas, não fosse divulgado. Mesmo que Belinati requisitar licença do cargo, os promotores informaram que o processo não pára e que ele pode ser convocado, mesmo não estando ocupando o cargo de prefeito, para prestar novos depoimentos.
Inicialmente o depoimento do prefeito Antonio Belinati estava marcado para hoje, mas, segundo João Graça, foi antecipado porque ele pode não estar na cidade amanhã (hoje) devido ao seu tratamento de saúde. Segundo o promotor Cláudio Esteves o advogado alegou também que queria evitar tumulto no Fórum, receoso de uma situação negativa. O promotor se referia a uma possível manifestação popular contra Belinati. Promotoria e defesa acertaram que o depoimento seria colhido às 15 horas, na 3ª Vara Cível, no Fórum, a poucos metros do gabinete do prefeito.
Faltando 10 minutos para o horário marcado, Graça enviou requerimento aos promotores dizendo que Belinati estava à disposição dos membros do MP em seu gabinete. Esse requerimento contraria frontalmente tudo o que já foi ajustado, reclamou Esteves, ao receber o comunicado.
O MP quer agilizar e não protelar, por isso vamos acolher o pedido do prefeito, afirmara ele. Os promotores chegaram ao gabinete de Belinati às 15h30, carregando vários documentos. Eles estavam acompanhados de dois funcionários. Esteves permitiu que jornalistas acompanhassem os trabalhos, o que não foi aceito por Belinati. O assessor do prefeito, Sérgio Luiz Souza, justificou que o prefeito está se recuperando de problemas de saúde. No tempo certo ele falará com a imprensa, mas não hoje, prometeu.( Colaborou Patricia Zanin)





