Belinati está na cadeia de novo
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quinta-feira, 26 de julho de 2001
Lino Ramos de Londrina 
Ex-prefeito de Londrina é preso pela segunda vez, agora acusado de desviar R$ 270 mil dos cofres públicos. Kakunen Kyosen e Carlos Júnior também estão presos
O ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati, 57 anos, foi preso ontem à tarde pela segunda vez, agora acusado de desviar R$ 270 mil da antiga Comurb, um dos principais órgãos municipais usados no chamado escândalo AMA/Comurb. Segundo o Ministério Público (MP), a maior parte do dinheiro desviado financiou a campanha eleitoral do filho do ex-prefeito, o deputado estadual Antonio Carlos Belinati (PSL), em 1998. O ex-prefeito é acusado de peculato, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
Também foram presos o empresário Cassimiro Zavierucha, o Carlos Júnior, considerado tesoureiro de campanha de Belinati, e o ex-presidente da Comurb, Kakunen Kyosen. Carlos Júnior foi preso no Mato Grosso do Sul e Kyosen em seu escritório, no centro de Londrina. A ação criminal tem 19 réus e cinco pedidos de prisão. A juíza Fabiana Silveira Karam também decretou a prisão do ex-secretário de Governo, Gino Azzolini Neto, que ontem à noite era tido como foragido. O MP também havia requerido a prisão do empresário curitibano Vicente de Paulo Cunha e Castro, mas o pedido foi negado por Fabiana Karan.
A prisão de Belinati foi decretada pela juíza Fabiana Karam, substituta na 4ª Vara Criminal, onde existem outras quatro denúncias criminais contra o ex-prefeito. Antonio Belinati está sozinho na mesma cela do 2º Distrito Policial (2º DP) onde ficou por seis dias em maio, quando foi preso pela primeira vez, após denunciado pelo MP como o principal responsável pelo desvio de R$ 1,7 milhão dos cofres municipais. O advogado de Belinati, Antonio Carlos Vianna, não quis falar à imprensa ontem, alegando que ainda não conhece a nova denúncia contra seu cliente. Hoje ele deve apresentar um pedido de habeas corpus ao Tribunal de Justiça (TJ).
Cassado em junho do ano passado pela Câmara, Belinati foi preso por volta das 15h30 pelo delegado Márcio Vinícius Amaro, que chegou ao apartamento do ex-prefeito acompanhado dos promotores Roberto Tonon Júnior e Thiago de Oliveira Gerard. Amaro contou que Belinati estava de roupas íntimas e não reagiu à prisão. Porém o ex-prefeito teria reclamado de ser preso durante as férias forenses.
Ele (Belinati) fez um contato com o advogado, estava com roupas íntimas, de calção, e pediu para trocar de roupa. Não houve qualquer resistência, ele disse que não esperava, em férias forenses, que surgisse uma medida dessas, relatou o delegado. Sem algemas, Belinati foi conduzido rapidamente ao 2º DP. Dessa vez não houve tumultos, como aconteceu na primeira vez em que o ex-prefeito foi detido.
As acusações feitas pelo MP são as mesmas que embasaram a ação civil proposta em 29 de junho contra Belinati, o deputado Antonio Carlos e a vice-governadora Emília Belinati (PTB), que pela primeira vez tornou-se ré no escândalo AMA/Comurb. A ação civil, acatada pelo juiz da 6ª Vara Cível, Celso Seikiti Saito, tem 38 réus, denunciados com base na Lei de Improbidade Administrativa. Segundo a denúncia, R$ 3,5 mil desviados da Comurb foram depositados diretamente na conta da vice-governadora pelo empresário Cassimiro Zavierucha.


