Lucilia Okamura
De Londrina
Nomes de secretários municipais e assessores foram citados pelo prefeito Antonio Belinati (PFL) no depoimento que prestou anteontem ao Ministério Público (MP) sobre as irregularidades na administração municipal. ‘‘São nomes conhecidos e que estão envolvidos diretamente no caso’’, afirmou o presidente em exercício da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Lauro Zanetti, que esteve conversando ontem com a promotora Solange Vicentin, para solicitar a liberação do depoimento.
Segundo Zanetti, a promotora argumentou que não poderia ainda liberar o depoimento porque algumas providências precisam ser tomadas antes. ‘‘Os promotores devem convocar essas pessoas novamente’’, disse, dando pistas de que os nomes citados por Belinati são conhecidos. ‘‘São pessoas que fizeram ou fazem parte da administração municipal.’’
O presidente da OAB disse que irá conversar novamente com a promotora na sexta-feira para verificar se o depoimento poderá ser liberado. O objetivo da entidade é tornar públicas as declarações de Belinati. ‘‘O prefeito, como homem público, deve esclarecimentos à sociedade’’, argumentou.
O promotor Cláudio Esteves, que junto com Solange Vicentin foi à prefeitura tomar o depoimento de Belinati, não quis dar detalhes do trabalho. Confirmou apenas que algumas providências devem ser tomadas pelo MP antes de tornar públicas as declarações do prefeito. Ele disse ainda que é imprevisível saber se até sexta-feira essas medidas já estarão sendo tomadas.
O depoimento do prefeito, que teve início às 15h45, durou sete horas. O advogado de Belinati, João Alberto Graça, disse que Belinati negou qualquer participação nas irregularidades, que provocaram um desvio de pelo menos R$ 16 milhões. ‘‘Ele confirmou que não conhecida as irregularidades na AMA e na Comurb e deixou bem claro a autonomia administrativa de cada autarquia e companhia’’, afirmou.
Sobre as denúncias de que o dinheiro desviado teria sido utilizado para cobrir despesas da campanha eleitoral de 98, Graça ressaltou que a participação de Belinati teria sido apenas de ‘‘pedir votos ao filho (o deputado estadual Antonio Carlos Belinati) para companheiros e amigos políticos’’.
Antes do início do depoimento, o prefeito havia avisado, através de sua assessoria, que não daria declarações aos jornalistas. Ele também não permitiu o acesso da imprensa à sala onde o depoimento estava sendo realizado. Terminado o trabalho dos promotores, pouco antes das 23 horas, Belinati permaneceu em seu gabinete.
Vários jornalistas ficaram do lado de fora do prédio da prefeitura à espera de Belinati, enquanto secretários e assessores tentavam despistá-los, dizendo que ele já havia ido embora. Os secretários só saíram depois da meia-noite.
Por causa da insistência de alguns repórteres, que ‘acamparam’ toda a madrugada em frente ao prédio, Belinati acabou passando a noite no gabinete. Ele só deixou o prédio às 9h05, quando praticamente todos os jornalistas já tinham ido embora. Belinati não retornou à prefeitura à tarde. Segundo sua assessoria, ele ficou em casa, descansando.

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