Belinati e Nedson se enfrentam na TV
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segunda-feira, 25 de outubro de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
O primeiro debate ao vivo do segundo turno em Londrina, promovido pela TV Tarobá na noite de domingo, ocorreu de forma tranquila, sem pedidos de direito de reposta ou discussões mais acaloradas. Os candidatos Antônio Belinati (PSL) e Nedson Micheleti (PT) mativeram a pose durante 1h40 minutos, tempo dividido em cinco blocos somados aos intervalos comerciais. Assessores e políticos acompanharam os candidatos e deram orientações entre cada bloco. Cada grupo político assistiu ao debate em uma sala diferente na emissora.
Em raros momentos, Belinati tentou provocar Nedson sobre temas como dívidas da prefeitura, indústrias atraídas para a cidade e um supsoto processo contra o presidente da Sercomtel, João Rezende. O atual prefeito, por sua vez, destacou que iria falar sobre suas propostas e rebateu o ex-prefeito dizendo que quem está acostumado a ações e ao Ministério Público (MP) é o adversário, em referência aos mais de 30 processos que correm na Justiça contra Belinati por improbidade administrativa e desvio de verbas públicas.
Nedson defendeu que a prefeitura está em equilíbrio econômico e que as dívidas com a Cohab foram equacionadas permitindo financiamentos para construção de novas casas. ''Talvez o candidato tenha se esquecido do tempo que foi prefeito e da dívida que tinha'', alfinetou o petista. Belinati, por sua vez, voltou a frisar que é o prefeito que ''mais construiu casas em todo o mundo'' e que deveria entrar para o livro dos recordes.
No primeiro bloco, os candidatos foram convidados a responder se estavam preparados para atender aos anseios do eleitor londrinense. Por sorteio, Belinati foi o primeiro a responder. ''Tenho o privilégio de ter a minha candidatura submetida aos eleitores. Tenho projeto para fazer com que a população de Londrina possa ser muito feliz.'' Nedson se disse preparado para cumprir a função novamente. ''Me prepararei na prática nesses quatro anos e preparei a cidade para continuar trilhando o caminho para frente.''
Apenas uma questão deu margem para reclamação durante o confronto. O deputado estadual André Vargas (PT) criticou que Belinati sempre extrapolava o tempo de 30 segundos para fazer a pergunta para Nedson. A questão foi resolvida pelo mediador Gelson Negrão que, na sequência, quando Belinati voltou a extrapolar o tempo, cedeu os mesmos segundos a mais usados pelo candidato do PSL para Nedson responder ao questionamento.
Belinati se mostrou menos familiarizado com o tempo destinado para perguntas e respostas. Ele chegou a reclamar que não estava conseguindo ver o contador de tempo no monitor colocado à frente da bancada. O mediador da Tarobá solicitou que os câmeras mostrassem a imagem geral do estúdio, que identificou o monitor posicionado bem a frente dos três e com as mesmas condições de visão para os dois candidatos.
Nedson e Belinati agradeceram a Tarobá pela realização do debate. Belinati argumentou que desde o dia três de outubro, antes mesmo do resultado final, já havia se comprometido a comparecer a todos os debates. Ele não tinha se comprometido formalmente com a emissora e sua participação só foi confirmada quando ele chegou à TV às 19h15. ''O debate foi num nível alto, sem necessidades de recursos de um ou outro. Tivemos apenas alguns arranhões'', descreveu Belinati. O candidato disse não acreditar em mudanças no quadro eleitoral por causa do debate. ''Se eu não comparecesse não seria bom. No primeiro turno não tinha problema porque eram muitos candidatos e até voltar a pergunta já tinha passado mais de meia hora. Um contra o outro fica mais agradável'', considerou.
Nedson destacou que pôde esclarecer e expor suas propostas para os telespectadores. ''Deu para defender o meu governo e eu procurei não atacar. Com certeza, atraí votos dos indecisos e consolidei os que já tinha. Sempre participo de debates'', apontou. O próximo encontro entre os candidatos está agendado para quinta-feira, na Rede Paranaense de Comunicação (RPC).
A Folha não conseguiu mais informações sobre o suposto processo envolvendo João Rezende. O presidente da Sercomtel enviou nota à redação dizendo não ter nada a informar sobre o assunto. ''Não recebi, nem pessoalmente nem como presidente da Sercomtel, qualquer notificação do MP acerca de vazamentos de informações de qualquer natureza restritas à operadora'', declarou. Assessores da campanha de Belinati não quiseram dar detalhes sobre o assunto.


