O ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido) teria que cumprir ontem uma extensa agenda no Fórum e na Justiça Federal. Belinati foi intimado a depor em três ações (duas criminais e uma civil), mas não compareceu a nenhuma delas.
A ''falta'' sem justificativa à intimação da 3 Vara Cível, onde tramita uma ação civil pública por improbidade administrativa, ajuizada em 97, rendeu ao ex-prefeito, citado como réu, a aplicação de uma pena de confissão. Segundo a promotora de Defesa do Patrimônio Público, Solange Vicentin, a pena de confissão ''presume que o réu confessou como verdadeiras as denúncias''.
A ação denuncia irregularidades no pagamento de despesas com publicidade da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel). Conforme os autos do processo, cerca de US$ 4,3 mil (em valores atualizados), teriam sido pagos ao Londrina Esporte Clube (LEC) para a colocação de painéis publicitários do órgão no estádio Vitorino Gonçalves Dias, no primeiro semestre de 93. Esse serviço não teria sido usado.
Apesar da ausência de Belinati, boa parte do seu secretariado prestou esclarecimentos sobre o caso. Estiveram ontem no Fórum cinco ex-secretários.
O ex-presidente do LEC Dorival Pagani confirmou que a publicidade foi paga, mas os painéis nunca teriam sido usados pela Codel. ''Não foram feitas as placas publicitárias. Acho que não houve tempo, porque o contrato foi feito em 20 de dezembro de 92 e o pessoal da administração saiu no dia 31 de dezembro.''
Presidente da Codel em 93, Abílio Medeiros disse não ter usado as verbas destinadas à publicidade porque o processo estava irregular. ''Quando assumi pedi para que se fizesse uma auditoria, em que foram constatadas várias irregularidades, entre elas a do Londrina. Foram encaminhadas para o Ministério Público.''
O ex-vice-prefeito e ex-presidente da Codel Carlos Antonio Franchello, citado na ação, teve negado o pedido de transferência da audiência e também foi penalizado por sua ausência. ''Ele não compareceu devido ao seu estado de saúde complicado'', disse o advogado de Franchello, Bruno Bergonse.
Na 4 Vara Criminal, onde tramita uma ação criminal pelo desvio de R$ 25 mil da Comurb, o advogado de Belinati, Antonio Carlos de Andrade Viana, apresentou uma declaração do ex-prefeito, na qual ''ratifica os interrogatórios anteriormente prestados''. O juiz Álvaro Rodrigues Júnior, porém, agendou novo interrogatório para 16 de outubro. O ex-secretário de Governo Gino Azzolinni Neto, também citado na denúncia criminal, compareceu e negou as acusações.
Belinati também pediu dispensa do interrogatório em uma das 16 ações ajuizadas na Vara Criminal da Justiça Federal pela falta de pagamento de precatórios da Prefeitura entre 97 e 98. O ex-prefeito poderá apresentar a sua defesa por escrito. O advogado de Belinati não foi localizado.

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