O ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido) foi interrogado ontem pelo juiz substituto da 4 Vara Criminal, Álvaro Rodrigues Júnior, sobre a denúncia ajuizada pelo Ministério Público (MP) que trata do desvio de R$ 450 mil da Prefeitura de Londrina. Na ação, os promotores Cláudio Esteves e Solange Vicentin denunciam supostas fraudes em três licitações da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU), vencidas pela Edificadora Veneto.
Segundo o MP, parte do dinheiro desviado, cerca de R$ 350 mil, teria sido encaminhada para três contas correntes em Santana do Livramento (RS), na divisa com o Uruguai. Os promotores solicitaram ao MP local e a Polícia Federal que apurem a possibilidade de lavagem de dinheiro ou existência de contas fraudulentas.
No interrogatório, que rendeu menos de meia página, Belinati reiterou que não teve envolvimento com licitações. A exemplo das outras vezes em que foi ouvido pelo juiz, ele declarou que ''sempre teve como conduta a prática de delegar poderes aos seus subordinados para que estes exercessem as suas tarefas; que nunca teve participação direta em nenhuma licitação ocorrida durante sua gestão'', como trata um trecho do interrogatório.
''O repasse nunca era feito nos valores solicitados porque os recursos eram sempre insuficientes'', ressalta o ex-prefeito em outra parte do interrogatório. As licitações teriam sido realizadas em 99, menos de um ano após a venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel, que renderam aos cofres municipais R$ 186 milhões. Também foi interrogado ontem o ex-secretário de Administração Wilson Mandelli, citado na ação. Diante das promotoras ele ''respondeu: que nega terminantemente as acusações''.
A Folha tentou entrar em contato com o advogado de Belinati, Antonio Carlos Viana, mas foi informada que ele estava a caminho de Curitiba. O advogado de Mandelli, Ronaldo Neves, não foi localizado.

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