Belinati é interrogado e nega acusações do MP
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quarta-feira, 16 de outubro de 2002
Cristiane OyaReportagem Local 
O ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido) reiterou ontem à Justiça que não tem responsabilidade sobre os desvios de dinheiro dos cofres públicos em sua terceira gestão, de 1997 a 2001, conforme denuncia o Ministério Público (MP). Belinati foi interrogado pelo juiz Álvaro Rodrigues Júnior, em quatro ações penais que tramitam na 4 Vara Criminal.
Belinati é citado em 11 ações criminais e 19 civis ajuizadas pelo MP, que já comprovou o desvio de mais de R$ 10 milhões. No escândalo que ficou conhecido como AMA-Comurb, os desvios ocorriam basicamente através de fraudes em licitações. O ex-prefeito somente ratificou as declarações prestadas em junho do ano passado, quando admitiu algumas nomeações de secretários, também citados nas ações, e negou conhecer outros envolvidos nas denúncias do MP.
Ao final da audiência, que durou cerca de 30 minutos, Belinati se negou a dar declarações à imprensa. ''O prefeito esclareceu que a visão administrativa e política eram dele e os atos administrativos, da administração em geral. Cada um que se responsabilize por aquilo que fez e a Justiça já está investigando e vai avaliar quem é responsável'', afirmou o advogado de Belinati, Antonio Carlos de Andrade Vianna.
O advogado voltou a criticar a tramitação das ações na Justiça. ''São vários processos tratando da mesma coisa, ou seja, de licitação AMA-Comurb. O Ministério Público instaurou um processo para cada licitação, quando pela nossa lei processual, isso é desnecessário'', alegou. ''Facilitaria o interrogatório de todos os acusados, o depoimento das testemunhas e uma decisão judicial considerando se houve ou não fraude nas licitações.''
No entanto, o juiz negou o pedido de Vianna para que os processos fossem agrupados em uma só ação. ''Esse pedido de conexão dos processos já foi indeferido porque seria absolutamente impossível, inviável juntar-se 11 processos criminais'', justificou. Vianna afirmou que deverá recorrer da decisão.
Conforme Rodrigues, até dezembro, todos os citados nas 11 ações criminais deverão ser interrogados. Em fevereiro, devem ter início as audiências com as testemunhas de acusação. ''São inúmeros réus, inúmeras testemunhas e não dá para a gente fazer uma previsão de quando sairá a primeira decisão.''


