Belinati e ex-secretários são interrogados em Londrina
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2002
Lino Ramos<br>Reportagem Local 
O ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) foi interrrogado duas vezes ontem à tarde pelo juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas, sobre o desvio de recursos da Prefeitura de Londrina. Também foram interrogados os ex-secretário de Ismael Mologni (Fazenda) e Wilson Mandelli (Administração e Governo), além do empresário Luiz Carlos Brandão, réus nas ações criminais sobre o chamado escândalo AMA/Comurb.
No interrogatório sobre o desvio de R$ 3,4 milhões da extinta Comurb, Belinati alegou que não conhecia a empresa Gomes & Amâncio, envolvida no escândalo, nem se lembrava de seus proprietários, Sebastião Gomes da Costa e João Gomes da Costa. Em um depoimento com menos de dez linhas, Belinati disse que nunca determinou a qualquer secretário a instalação de licitações fraudulentas.
Se o prefeito for indicar as empresas que devem participar de licitações, não terá tempo para administrar a cidade, justificou. Em outro processo sobre o desvio de R$ 270 mil Belinati repetiu o depoimento anterior. As duas ações criminais propostas pelo Ministério Público (MP) levaram Belinati por duas vezes à prisão no ano passado.
Luiz Carlos Brandão irmão da ex-diretora da Comurb Lúcia Brandão confirmou ter emprestado sua conta e fornecido mais de dez cheques em branco para o ex-diretor-financeiro da Comurb Eduardo Alonso de Oliveira. Alonso teria depositado entre R$ 1,3 milhão e R$ 1,5 milhão da Comurb em suas contas. Brandão disse ainda que não recebeu comissão e após perceber alguma coisa errada não concordou mais com os depósitos.
O ex-secretário Wilson Mandelli alegou que só tomou conhecimento dos desvios após as investigações do MP. Durante entrevista coletiva, disse que hoje sente que foi manipulado e que o prefeito deveria saber o que estava acontecendo na prefeitura.
Ismael Mologni também evitou a imprensa e procurou ser rápido durante seu interrogatório. Ele negou envolvimento com a elaboração de cartas-convite fraudulentas ou que conhecesse outros envolvidos no escândalo, como a irmã do doleiro Alberto Youssef, Olga Youssef, acusada de lavar parte do dinheiro desviado da Comurb.


