Belinati é denunciado pela 20ª vez na Justiça
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sexta-feira, 07 de dezembro de 2001
Cristiane Oya<br>De Londrina 
O Ministério Público de Londrina ajuizou ontem a 20 ação do escândalo AMA/Comurb. A ação civil pública, assinada pelos promotores Cláudio Esteves, Solange Vicentin e Antônio Winckert de Souza, denuncia 19 réus, entre eles o ex-prefeito Antonio Belinati (PL) e o deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSL), pelo desvio de R$ 24,995 mil da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU). Até agora, o MP já comprovou o desvio de R$ 20 milhões da prefeitura.
De acordo com o MP, o dinheiro teria sido desviado por meio de fraude em uma licitação vencida pela Iasin, empresa de Ivano Abdo. ''Esse dinheiro consta daquela famosa lista do caixa de campanha eleitoral e é a primeira anotação'', afirmou Esteves, se referindo ao livro-caixa apreendido no ano passado na casa e no escritório de Cassimiro Zavierucha, o ''Carlos Júnio'', apontado como tesoureiro da família Belinati.
Também são citados na ação o próprio Cassimiro Zavierucha, Ivano Abdo e João Gilberto Santos Filho; os ex-secretários Gino Azzolini (Governo) e Luis César Guedes (Fazenda); os ex-diretores da Comurb Kakunen Kyosen, Eduardo Alonso e Lúcia Brandão; cinco ex-membros da comissão de licitação da companhia; e as empresas Iasin, Ivano Abdo Construções e Exímia Isolamento Térmico.
A ação foi encaminhada por prevenção ao juiz da 6 Vara Cível, Celso Saito. O MP pede a decretação de indisponibilidade dos bens dos réus, ressarcimento do dano e a aplicação das sanções por improbidade administrativa, como perda de cargo público ou mandato, suspensão dos direitos políticos e multa. No dia 30 de agosto, o MP ingressou com uma ação idêntica na esfera criminal.
O advogado de Belinati, Antonio Carlos de Andrade Vianna, voltou a criticar o trabalho do MP. ''Eles estão desmembrando irregularmente cada carta-convite. Vamos arguir que todas as ações que se referirem às licitações da Comurb sejam reunidas em uma só'', afirmou.
O advogado de Azzolini Neto, Omar Baddauy, disse que seu cliente negou as acusações. ''É mais uma das ações sem fundamento que estão sendo propostas.'' O advogado de Kakunen, Ronaldo Neves, também arguiu que as ações são idênticas. ''O fato se diferencia, mas na realidade os motivos são os mesmos'', argumentou.
A Folha tentou contato com o deputado Antônio Carlos e com Cassimiro Zavierucha, mas eles não retornaram as ligações. De acordo com a secretária da empresa em que trabalha, Luis César Guedes estaria viajando. Eduardo Alonso e Lúcia Brandão não foram localizados. (C.O.)


