O ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido) foi citado ontem pelo Tribunal de Contas do Estado (TC) sobre as irregularidades que teriam ocorrido em sua administração em 1997. Pouco antes de assinar citação, ele concedeu uma entrevista e atacou os veículos de comunicação. ‘‘Nós vamos responder e evidentemente pedir que cada veículo de comunicação divulgue o quanto recebeu de publicidade no tempo em que fomos prefeito’’, afirmou.
Sem mencionar nomes, Belinati disse que teria sido pressionado por diretores de veículos de comunicação para liberar verbas publicitárias. ‘‘Quando eu era prefeito, tinha diretor de rádio, de jornal e de televisão que não saía do gabinete. Tinha veículo que quando a gente não dava verba batia na gente, agredia, atacava. Até para ressalvar os veículos idôneos e que são muitos, é bastante interessante essa postura no sentido de que cada veículo relate o montante recebido’’.
O ex-prefeito não escondeu o ressentimento com veículos que anteriormente agiram como seus aliados. ‘‘Alguns veículos, quando eu estava como prefeito, não faziam outra coisa a não ser pedir verba e neste momento adotaram como linha ficar nos agredindo’’. Ele foi citado pela diretora-geral do TC, Jussara Borba, na emissora de rádio ondem mantém um programa. Antes, ela esteve três vezes na portaria do prédio onde mora o ex-prefeito e na chácara da família.
Belinati terá 15 dias para apresentar sua defesa sobre os ‘‘desvios de finalidade’’ nas contas da prefeitura em 97, avaliadas pelo TC em R$ 42,5 milhões (R$ 75,9 milhões atualizados). Além de Belinati, o TC citou 12 envolvidos com irregularidades na prefeitura, na gestão relativa a 1997. O ex-secretário de Governo, Gino Azzolini Neto, deverá ser citado hoje em Curitiba.
O ex-vereador Adalberto Pereira da Silva – que presidia a a Câmara em 1997 – rebateu as acusações de que o Legislativo cometeu irregularidades que somariam R$ 40 mil. Segundo o TC, a Câmara pagou presentes e patrocinou uma viagem ao Japão dos ex-vereadores Carlos Kita e Carlos Santa Rosa. ‘‘Tudo foi feito de acordo com a legislação.’’
Santa Rosa lembrou que foi escolhido por sorteio e a viagem foi aprovada pelo plenário. Segundo Adalberto, a Câmara cobriu as diárias e as passagens foram custeadas pela prefeitura. ‘‘Se não me falha a memória, na mesma viagem foram os conselheiros Rafael Iatauro e Artagão de Mattos Leão.’’ A assessoria de imprensa do TC informou que os conselheiros pagaram parte de suas despesas e o restante foi custeada pelo tribunal.

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