Belinati e Azzolini são interrogados
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quarta-feira, 20 de junho de 2001
Lino RamosDe Londrina 
O ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido) negou ontem qualquer responsabilidade sobre o desvio de recursos públicos durante sua administração, no chamado escândalo AMA-Comurb. Quase um ano após ter seu mandato cassado pela Câmara de Vereadores (em 22 de junho de 2000), Belinati foi interrogado pelo juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Aráujo Ribas, na ação em que é acusado de desviar R$ 590 mil através de quatro licitações fraudulentas. O ex-secretário de Governo Gino Azzolini Neto também foi interrogado.
O interrogatório é referente à segunda das quatro denúncias criminais oferecidas até agora pelo Ministério Público (MP) contra Belinati e parte de sua equipe, além de empresários acusados de envolvimento com o desvio de recursos públicos. O ex-prefeito e seu advogado, Antônio Carlos de Andrade Vianna, deixaram o Fórum sem dar entrevistas. Belinati foi questionado pelos repórteres sobre o aniversário de sua cassação, mas optou pelo silêncio.
Segundo a promotora da 1ª Vara Cível, Solange Novaes Vicentin (que acompanhou o interrogatório), o juiz procurou fazer perguntas objetivas sobre a composição do secretariado de Belinati, porém o ex-prefeito negou todas as acusações que fazem parte do objeto da denúncia.
O dinheiro desviado através de fraudes em licitações teria origem na venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel, em 1998, e que rendeu à prefeitura R$ 186 milhões. Durante o interrogatório, Belinati alegou que o dinheiro da venda da Sercomtel foi aplicado em vários setores da administração, inclusive para cobrir um déficit mensal do município, na ordem de R$ 3 milhões.
O ex-prefeito disse ainda que parte dos recursos foi usado para quitar o 13º salário dos servidores, em setembro de 98. Segundo ele, os membros do Conselho de Gestão Financeira (Cogefi), criado para gerenciar os recursos da venda das ações, lhe deram autorização para sacar o dinheiro e repassar a outros órgãos municipais.
Belinati também negou que conhecia os empresários acusados de envolvimento com os desvios, como Cláudio Menna Barreto ou Arion Cruz Santos, ambos de Curitiba. O ex-prefeito disse ainda que não tinha afinidade com o ex-diretor-financeiro da Comurb Eduardo Alonso de Oliveira (réu colaborador nas ações). Segundo ele, Alonso foi indicado considerando sua base política e que o ex-diretor trabalhou na campanha de José Janene (PPB) à Câmara dos Deputados.
O ex-prefeito alegou que desconhecia o empréstimo de R$ 770 mil feito em janeiro de 99 pelo ex-presidente da Sercomtel Rubens Pavan ao empresário Cassimiro Zavierucha, o Carlos Júnior, apontado como seu caixa de campanha. O empréstimo é questionado na primeira denúncia apresentada pelo MP.
Depois de Belinati, foi a vez de Azzolini Neto prestar esclarecimentos. O promotor da 4ª Vara Criminal, Sérgio Siqueira, explicou que Azzolini Neto negou as acusações e praticamente repetiu o que havia falado quando foi interrogado sobre as acusações que constam na primeira ação criminal. Tanto que com a autorização dele foi aproveitada boa parte do depoimento anterior, comentou.
Ontem também deveria ser interrogado o ex-secretário de Administração e Governo Wilson Mandelli. Mas, segundo Siqueira, o cartório da 4ª Vara não conseguiu intimá-lo à tempo.


