Belinati é alvo de nova ação criminal
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segunda-feira, 14 de maio de 2001
Lino Ramos De Londrina 
O Ministério Público (MP) de Londrina ingressou na Justiça com novo pedido de prisão do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) e mais oito pessoas, acusados de desviar R$ 590 mil da Comurb (atual CMTU). A denúncia foi aceita pelo juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas. Ele entendeu que caberia a prisão dos réus, porém decidiu que os pedidos serão apreciados após o julgamento do mérito do habeas-corpus que tramita no Tribunal de Justiça (TJ) e que foi impetrado pela defesa de Belinati.
A denúncia criminal atinge 18 pessoas. Além de Belinati, o MP pediu a prisão de Gino Azzolini Neto (ex-secretário de Governo), Wilson Mandelli (ex-secretário de Administração), Eduardo Duarte Ferreira (ex-procurador do município), Kakunen Kyosen (ex-presidente da Comurb e ex-auditor), além dos empresários de Curitiba Arion Cruz Santos (representante da Esteio), Solano da Ros (ex-proprietário da Edificadora Vêneto), Carlos Lucidório Trindade e Carlos Valério da Rocha (ambos ex-diretores da Esteio).
Todos são acusados de lavagem de dinheiro, peculato e falsidade ideológica. Caso sejam condenados, podem cumprir pena que varia de 14 a 49 anos de prisão. Nesta semana, o MP apresenta entra com recurso para que o juiz reconsidere os pedidos de prisão.
Os recursos desviados, segundo o MP, são provenientes da venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel (R$ 186 milhões). O dinheiro saía do Conselho de Gestão Financeira (Cogefi criado para gerenciar os recursos da venda das ações) para a conta da prefeitura. Depois, era transferido para o Fundo de Urbanização de Londrina (FUL) e remetido à Comurb, que pagava as licitações fraudulentas.
Segundo o promotor da 4ª Vara Criminal, Sérgio Corrêa de Siqueira, a grande maioria dos recursos foi desviada para a conta de Santos e sua mulher, Eleonora Lobo Santos. Outros R$ 250 mil foram rastreados até a conta de Trindade, revelando que Santos agia em nome da Esteio. Outros R$ 10 mil foram encontrados na conta de Maria Raquel Dias Paião, babá da família do ex-diretor administrativo-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso de Oliveira. Ele é réu colaborador na ação.
Conforme Siqueira, para os desvios, foram feitos quatro licitações fraudulentas vencidas pela Edificadora Vêneto, empresa de Curitiba que funcionava em nome de um laranja Osório Benato Miola. O primeiro pagamento (R$ 73.727,25) ocorreu em novembro de 1998. Os demais, totalizando R$ 516.356,70, foram liberados em 11 de janeiro de 99. Os pagamentos ocorreram no mesmo dia em que o dinheiro foi liberado. Porém os processos licitatórios foram fabricados após os pagamentos.
O promotor de Investigações Criminais (PIC) Cláudio Esteves, disse que Santos negou-se a contar para onde teria sido ido o restante dos recursos. Perguntamos várias vezes o que eles fizeram com os recursos, mas ninguém se dignou a dizer. Ele também afirmou que a liberação dos recursos para o esquema foi autorizado diretamente por Belinati. Não há saque do Cogefi que não contou com a autorização do ex-prefeito. A promotora Solange Vicentin também assina a ação.


