Oito anos após o fim de sua terceira gestão à frente do Executivo municipal, o ex-prefeito, deputado estadual e prefeito eleito de Londrina com registro cassado, Antonio Belinati (PP), passa a figurar como réu em mais uma ação judicial do caso AMA/Comurb. No último dia 14 - durante o segundo turno das eleições-, Belinati foi denunciado em Ação para Ressarcimento de Danos, juntamente com mais oito pessoas pelo desvio, em 1999, de R$ 34.668,32 dos cofres municipais. De acordo com a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, o valor foi utilizado para quitar despesas de campanha eleitoral ''de aliados políticos'' do ex-prefeito.
Para efetuar o saque, a então Autarquia do Meio Ambiente (AMA), atual Sema, teria simulado a compra de seis mil ''marmitex'' junto ao restaurante do Grêmio Recreativo e Literário Londrinense para serem repassados à Gerência de Capina e Roçagem. De acordo com a denúncia, a operação visou, na verdade, saldar despesas de campanha com o restaurante - e os ''marmitex'' nunca chegaram à AMA.
Além do ex-prefeito, são alvos da ação os ex-diretores da AMA, Mauro Maggi e Nelson Kohatsu, o ex-diretor adminsitrativo financeiro da Comurb Eduardo Alonso, o espólio da ex-proprietária do restaurante do Grêmio Tertuliana Maccagnan - a dona Rosa (falecida em 2007), e outros quatro funcionários públicos.
A promotoria também pede o reconhecimento de ato de improbidade, mas não a condenação, já que o delito prescreveu em 2005. Cópia da ação foi encamihada à Procuradoria Geral de Justiça, em Curitiba, para eventual ajuizamento de ação criminal relativa ao caso. Como deputado, Belinati goza de foro privilegiado em âmbito penal e só pode ser denunciado perante o Tribunal de Justiça (TJ).
Pantanal
Nos dias 12 e 14 de setembro, a promotoria já havia apresentado mais duas ações relacionadas ao caso AMA/Comurb, uma cível e outra criminal, ligadas a um mesmo ilícito: fraude em licitação para desvio de R$ 7 mil. Nestes casos, o alvo do saque de dinheiro público também foi feito sob o pretexto de compra de marmitex. A licitação previa, no total, a compra de 3.600 refeições. As duas ações, porém, não incluem o ex-prefeito no pólo passivo. Aparecem como réus os ex-diretores Mauro Maggi e Nelson Kohatsu, três servidores municipais, e duas comerciantes - que assinaram as notas fiscais relativas à entrega inexistente dos marmitex.
A promotora Leila Voltarelli, uma das autoras das ações, afirmou que várias investigações sobre o caso AMA/Comurb ainda estão em andamento e podem se transformar em processos. Até agora já foram ajuizadas aproximadamente 40 ações cíveis e criminais relativas àquele período. De acordo com a promotora, as investigações dependem da realização de auditorias. ''Esse é um setor do Ministério Público que está bastante sobrecarregado'', afirmou. O ex-prefeito se negou a comentar as ações. Os advogados dele e do espólio de Rosa Maccagnan não foram localizados. A FOLHA também não conseguiu contato com Kohatsu e Maggi. Alonso não atendeu o telefone celular.

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