O ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido) afirmou ontem que não contesta a auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que detectou irregularidades em sua administração (nos anos de 1998 e 99), envolvendo recursos de mais de R$ 70 milhões – os desvios podem chegar a mais R$ 100 milhões com a inclusão de 1997. No entanto, ele se isentou da responsabilidade ao dizer que os dirigentes municipais envolvidos é que vão prestar os devidos esclarecimentos.
A auditoria foi divulgada anteontem, em Curitiba, pelo presidente do TCE, Rafael Iatauro. ‘‘Vale o que falou o presidente do tribunal. Cada pessoa que ocupou na época os cargos citados vai dar explicações à auditoria, que é quem esclarece tudo e encaminha para o tribunal. Eu não contesto nada’’, afirmou Belinati. Além dele, foram citados na auditoria 11 dirigentes que atuaram em sua gestão.
Belinati repete o discurso do presidente do TCE, de que não houve rombo, mas ‘‘desvios de finalidade’’ nos recursos públicos. ‘‘O importante é que o presidente do tribunal apontou irregularidades e não desvio de dinheiro, como aconteceu em Maringᒒ, observou. Iatauro disse que, apesar de não ter sido detectada apropriação indébita de recursos públicos, essa possibilidade não está excluída.
Questionado sobre seu envolvimento no escândalo, o ex-prefeito, que teve seu mandato cassado em junho de 2000, despista: ‘‘Estou tranquilo e espero que cada ex-secretário explique a parte que lhe cabe. Vamos esclarecer o que é para ser esclarecido.’’ Ele repetiu que tomou algumas medidas quando as irregularidades vieram à tona. ‘‘Na época nós já fizemos sindicâncias, demitimos e agora é com o Ministério Público.’’
Entre as irregularidades apontadas pelos técnicos do TCE nas investigações da prefeitura, autarquias, fundos e fundações, estão a ausência de licitações, a distribuição indiscriminada de cestas básicas, a contratação de pessoal sem concurso e o repasse de R$ 2,5 milhões à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para a realização dos Jogos Pré-Olímpicos. Sobre esta última acusação, ele disse apenas que todo o dinheiro arrecadado com o evento foi para os cofres públicos. ‘‘Não é dinheiro fantasma.’’
Outro questionamento do TCE é com relação aos gastos com a Frente de Trabalho. Para ele, esta contestação não procede, por tratar-se de ‘‘serviços prestados às necessidades do município’’. ‘‘Ainda não nasceu um louco que acabe com a Frente de Trabalho’’, afirmou.
Os números levantados até agora pelo TCE podem sofrer alterações, já que os órgãos relacionados ainda não apresentaram a defesa. As auditorias precisam passar pelo crivo das diretorias de contas municipais, jurídica e Procuradoria do Estado junto ao TCE. Depois, serão encaminhadas ao plenário para julgamento e, em seguida, enviadas à Câmara de Vereadores de Londrina e ao Ministério Público.

mockup