Belinati diz que está longe da política
Antonio Belinati (PFL), cuja cassação do mandato completa hoje oito dias, afirmou ontem que vem se mantendo longe das intensas articulações políticas em Londrina e que prepara informações e dados que deverão ser apresentados em breve à imprensa. Embora se mantenha desligado da política, Belinati disse que há um grupo querendo articular sua candidatura à reeleição nas eleições de outubro deste ano. O prefeito cassado tem passado a maior parte do tempo na chácara da família, na zona sul de Londrina.
A possibilidade ou não de Belinati se candidatar à reeleição é a grande incógnita que incomoda candidatos e eleitores. Até porque não está claro se a cassação significa ou não a perda e por quanto tempo dos direitos políticos de Belinati. A dúvida sobre como fica o quadro sucessório em Londrina poderá ser esclarecida até o final da noite de hoje, quando termina o prazo legal para as convenções partidárias. O partido do prefeito, o PFL, faz sua convenção hoje, a partir das 20 horas.
Ontem à tarde, o advogado do prefeito, João Graça, disse que, do ponto de vista jurídico, Belinati pode ser candidato em outubro. Enquanto o processo não chegar à instância final, ele tem condições legais de se lançar, afirmou Graça. Ele disse que conversou ontem à tarde com o prefeito cassado, que lhe garantiu não ter motivação para entrar em uma eventual disputa eleitoral neste momento.
Graça também ingressou ontem com um mandado de segurança, com pedido de liminar, pedindo a suspensão da votação da sessão de julgamento na Câmara. Na ação, ele argumenta que o vice-presidente do Legislativo, Flávio Vedoato (PL) que presidiu a sessão história da cassação não poderia votar porque seria parte interessada.
O advogado cita o parágrafo 2º do artigo 44 da Lei Orgânica, que elege o presidente da Câmara ou o vice para assumir a prefeitura no caso de vacância do titular. Com a cassação, o presidente da Câmara, Jorge Scaff (PSB), estaria confirmado na prefeitura e Vedoato seria o virtual presidente do Legislativo.
Além da ação impetrada ontem, a defesa está preparando outros dois mandados de segurança contra a Câmara tentando anular o julgamento. Um deles, que deve ser ingressado hoje, será contra o voto do vereador Orlando Bonilha (PDT), que demonstrou estar incapaz de votar em razão de sua inimizade capital com o prefeito, segundo a defesa de Belinati. Graça classificou a participação de Bonilha na sessão como um voto-vingança.
Outra ação prometida pela defesa tenta anular o julgamento porque os vereadores adotoram o voto aberto durante a sessão, contra o parecer da própria procuradoria da Câmara.
Vedoato disse que, segundo o artigo 251, o presidente da Câmara pode votar quando o quórum é qualificado. Sobre o voto aberto, ele afirmou que a decisão foi do plenário, que é soberano. O vereador Bonilha rebateu a acusação de que seu voto foi motivado por vingança. Sempre disse que não tenho nada contra a pessoa do Belinati.
O mandado de segurança contra o voto de Vedoato foi distribuído ontem para a 5ª Vara Cível. O juiz Alberto Veloso Júnior deverá se manifestar até hoje à tarde sobre o assunto.





