O prefeito de Londrina Antonio Belinati desfiliou-se ontem do PDT, depois de 15 anos na sigla. Ele justificou que ‘‘não quis criar embaraço para a direção do partido’’, que acionou a comissão de ética para analisar o seu e outros quatro casos de prefeitos pedetistas apontados como articuladores do apoio à reeleição do governador Jaime Lerner (PFL). A ‘caça às bruxas’ no PDT começou depois de um jantar, há cerca de 15 dias, oferecido pelo PFL a 58 prefeitos pedetistas que manifestaram apoio a Lerner e com a divulgação, por Belinati, de uma carta aberta de apoio ao governador.
O presidente do PDT e candidato a vice-governador na chapa de Requião, Nelton Friedrich, acionou a comissão de ética para analisar o comportamento dos prefeitos Adelar Arrosi (Ibema); Onir Braghini (Matelândia); Rogério Basquetti (Céu Azul); e de Siegfried Boving (Pinhais). A comissão de ética poderá sugerir advertência, troca do comando do partido nesses municípios ou expulsão dos dissidentes.
Belinati reclamou da conduta do PDT do Paraná. ‘‘O próprio comandante maior do partido, que é o Leonel Brizola, reconheceu que entendia a minha postura de apoio ao Lerner como marido da vice-governadora’’, alegou. Ele só pretende decidir seu novo partido depois das eleições, mas tem convite do PTB e do PFL.
O secretário de comunicação do PDT, Valmor Stédile, disse ontem à Folha que a saída de Belinati representa ‘‘um problema a menos’’. ‘‘Reduz nosso trabalho. Teríamos que analisar cinco e agora são quatro casos. Talvez dois ou três prefeitos, avessos ao diálogo, também tomem uma decisão como essa. Quando a razão e a verdade falam mais alto eles preferem se afastar’’, analisou. (Colaborou Leandro Donatti)

mockup