Belinati deixa a cadeia depois de 6 dias
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de maio de 2001
Dimitri do Valle De Curitiba 
O desembargador do Tribunal de Justiça (TJ), Otto Sponholz, concedeu liminar, cassando ontem à tarde, em Curitiba, as prisões preventivas do ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido), de seu ex-secretário de Administração e Governo Wilson Mandelli e do ex-presidente da Sercomtel Rubens Pavan.
O despacho do desembargador chegou a Londrina, via fax, no início da noite. Às 20 horas, Mandelli e Belinati foram soltos, depois de ficaram recolhidos seis dias no 2º Distrito Policial (DP) de Londrina. Pavan estava cumprindo prisão domiciliar. Acompanhado de advogados e familiares, o ex-prefeito foi direto para a chácara da família, na zona sul. Ele não quis falar com os jornalistas. Dezenas de pessoas acompanharam a saída de Belinati do distrito.
As prisões dos três e de outras quatro pessoas que estão foragidas foram decretadas no dia 4 pelo juiz da 4ª Vara Criminal de Londrina, Arquelau Araújo Ribas, atendendo à solicitação do Ministério Público (MP). Eles são acusados de formação de quadrilha, falsificação ideológica, peculato e lavagem de dinheiro porque estariam envolvidos no desvio de R$ 1,7 milhão dos cofres da prefeitura. O rombo nos cofres públicos pode chegar a R$ 200 milhões.
Os pedidos de habeas-corpus foram impetrados pelos advogados de Belinati e Mandelli na terça-feira e pela defesa de Pavan anteontem. No despacho, Sponholz entendeu que nenhum dos acusados representa perigo de comprometer a ordem pública, um dos requisitos para a decretação da prisão. Ele não aceitou o argumento de que o clamor popular seria suficiente para mantê-los na cadeia.
O estado de comoção social e de eventual indignação popular, motivado pela repercussão da prática da infração penal, não pode justificar, só por si, a decretação da prisão cautelar do suposto autor do comportamento delituoso, acrescentou.
Sponholz citou até o caso do jornalista paulista Antônio Marcos Pimenta Neves, preso depois do assassinato da ex-namorada Sandra Gomide, para sustentar a decisão de revogar as preventivas de Belinati, Pavan e Mandelli. A justificativa marcante para a decretação preventiva (de Pimenta Neves) foi o clamor público. Com a independência que deve existir nos juízes, o Supremo Tribunal Federal concedeu liminar para que o paciente respondesse o processo em liberdade.
A cassação do mandato de Belinati, pela Câmara de Vereadores, em junho de 2000, também foi abordada no despacho de Sponholz, que não vê a possibilidade do ex-prefeito voltar a causar danos ao patrimônio público enquanto estiver sendo processado. Que repetição de conduta delituosa se pode presumir, se o paciente teve cassado o seu mandato de Prefeito Municipal?, questionou.
Sponholz não aceitou as alegações do Ministério Público, que viu a possibilidade de fuga de Rubens Pavan, preso na sala de embarque internacional do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Para o desembargador, o mandado de prisão contra Pavan não especifica quais os crimes que ele havia cometido.
O mandado de prisão, por sua vez, não registra que fatos criminosos ou que condutas típicas teriam sido imputadas ao paciente. O decreto não faz menção expressa à prática de qualquer conduta ilícita em espécie, aludindo tão só em sua parte final a crimes de formação de quadrilha. Sponholz lembrou ainda que o próprio MP reconheceu que os acusados são primários, com profissão definida e moradores em Londrina, o que os autorizaria a responder o processo em liberdade.
Na tarde de ontem, os advogados do ex-secretário de Governo Gino Azzolini Neto impetraram habeas-corpus preventivo no TJ. Ele está foragido junto com outros denunciados pelo MP: Cassimiro Zavierucha (o Carlos Júnior), ex-tesoureiro de campanha de Belinati, e os empresários de Curitiba Solano da Ros e Arion Cruz Santos. O primeiro seria responsável pela empresa da Ros e Santos foi representante da Esteio Engenharia.
O promotor de Investigações Criminais (PIC) de Londrina, Cláudio Esteves, informou que hoje ele e outros promotores responsáveis pelo caso vão conversar com a Procuradoria-Geral de Justiça, em Curitiba, para analisar as medidas a serem tomadas. Estaremos verificando se o melhor caminho é interpor um recurso ou aguardar o julgamento do mérito, explicou. De qualquer forma, continuamos nosso trabalho e outras ações virão.
Esteves lembrou do caso do doleiro londrinense Alberto Youssef, que teve a prisão preventiva decretada em dezembro do ano passado, ficou preso 17 dias, foi solto por causa de uma liminar conseguida junto ao TJ. Em abril, voltou a ser preso porque, no julgamento do mérito, a liminar foi cassada. Youssef só conseguiu sair da prisão quando recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. (Colaborou Lucilia Okamura, de Londrina)


