Se a cassação do registro de candidatura de Antonio Belinati (PP) veio só esta semana pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), passados dois dias de um segundo turno vitorioso - 51,73% dos votos - e após o prazo de 25 de setembro que o próprio TSE definira para esse tipo de julgamento, a cobrança cabe a apenas uma parte: ''Ao próprio candidato, que, impugnado em 5 de setembro pelo TRE, participou da disputa sabendo que o fazia por sua conta e risco: a legislação eleitoral definira que, se cassado, ele teria seus votos anulados. Aliás, essa condição dele era sabida também pelo eleitorado do candidato''.
A análise é do procurador regional eleitoral Néviton Guedes, chefe do Ministério Público Estadual (MPE) no Estado. Guedes se disse ''incomodado'' com as recentes manifestações públicas de que o TSE poderia ter julgado o caso Belinati antes que ele concorresse no segundo turno. O procurador alega que, pela resolução 22.717/2008 do TSE, ''é clara'' a condicionante de validade dos votos à não cassação do registro.
''Em setembro o TRE afirmou ao Belinati que ele era inelegível. Quem resolveu estender o processo, desde então, e de forma legítima, foi ele''. Sobre as críticas ao TSE - mesmo a juíza eleitoral Denise Hammerschmdit, de Londrina, reclamou ontem, em entrevista exclusiva à FOLHA, que a cidade está sendo ''vítima da enrolação'' do Tribunal, em decidir -, Guedes ponderou: mesmo que o registro fosse cassado antes, as chances de Belinati disputar o pleito, sub judice, se manteriam. ''O TSE tinha mais de 3 mil processos desse tipo; era impossível. Mesmo assim, o deputado levaria o caso ao Supremo'', acredita. ''E outra: até para proteger a parte e não decidir por decidir - porque Justiça rápida é Justiça injusta -, esse caso foi analisado com todo o cuidado e a complexidade que exigia''.
O procurador considera que, ''pela repercussão que o caso tem, pela iportância da cidade e dos personagens envolvidos'', uma decisão final não deve demorar. Mesmo assim, arrisca: ''Muito dificilmente isso acontece antes de se iniciar o mandato''.
Ao contrário dos correligionários que protestaram anteontem no Centro Cívico contra os cinco ministros do TSE, o advogado do ex-prefeito, Eduardo Franco, disse ontem que ''o culpado dessa situação não é o Judiciário, mas o sistema de registro das candidatutas, que precisa ser aprimorado''. ''Mas não entendo por que, no sábado à tarde, foi pedido adiamento do julgamento. Essa demora é prejudicial.'' Indagado se eventual cassação de véspera mudaria o fato de Belinati concorrer, ter chances de ser eleito e novamente iniciar a briga recursal no TSE, Franco admitiu: ''Não mudaria. É que os correligionários vêem a coisa com um pouco de paixão'', resumiu.

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