Fusão de secretarias, contratação de uma fundação ligada à Universidade de São Paulo (USP) para realizar uma auditoria na prefeitura e execução judicial dos devedores de impostos. Essas são algumas das medidas anunciadas ontem pelo prefeito eleito Antonio Belinati (PDT) e que serão adotadas já no início de sua administração. O objetivo é um só: reduzir o custo da máquina administrativa. ‘‘Será uma economia de guerra. Quase nuclear’’, comparou Belinati. Ele evitou falar em reforma administrativa, mas praticamente iniciou-a antes da posse com o acúmulo de funções do secretário de Planejamento, Luiz César Guedes, que vai também responder pela secretaria da Fazenda. ‘‘É importante dizer que ele (Guedes) só vai receber por um cargo e vamos fazer isso em vários setores’’, advertiu o prefeito eleito.
Segundo Belinati, a palavra de ordem na prefeitura para o ano que vem será diminuir os gastos. Para isso, ele não descarta a extinção de secretarias. ‘‘Três ou quatro cargos em nível de secretariado nós não vamos preencher. Eles serão preenchidos com o acúmulo de funções’’, disse Belinati, para quem ‘‘97 deverá ser o ano do maior desafio da minha vida’’. O prefeito eleito também evitou críticas diretas ao prefeito Luiz Eduardo Cheida (PT), mas disse ter informações extra-oficiais de que a prefeitura está gastando mais do que arrecada.
Tanta ênfase na redução de custos tem pelo menos uma boa justificativa: Belinati está preocupado em cumprir os compromissos da administração e, ao mesmo tempo, honrar os seus compromissos com o eleitorado, principalmente a realização de grandes obras que prometeu na campanha, como o Pronto Atendimento Infantil, o Centro de Eventos e o Teatro Municipal. ‘‘Além de pagar funcionários e fornecedores, ainda temos que usar a cabeça e fazer sobrar dinheiro para as obras. Esse compromisso nós assumimos com a população.’’
A crise financeira da prefeitura se agravou com a falta de pagamento dos salários de dezembro e do 13º do funcionalismo, mas Belinati garantiu que sua prioridade será quitar esses débitos e as dívidas com os fornecedores. ‘‘Não dá para trabalhar com uma equipe insatisfeita’’, justificou.
E aproveitou para mandar um recado aos devedores de impostos: já na primeira semana de janeiro pedirá execução judicial imediata dos devedores. ‘‘Tenho certeza que muitos setores da cidade não vão nos olhar com bons olhos, mas assim como a prefeitura, o cidadão também precisa cumprir seus compromissos’’. Conforme a assessoria de imprensa da prefeitura, a dívida ativa do município é superior a R$ 30 milhões.
Quanto ao trabalho da fundação ligada à USP, o prefeito eleito denominou de ‘‘tomografia’’ da prefeitura. ‘‘Precisamos reduzir custos, remanejar pessoal e cortar excessos, e a USP é uma das instituições mais respeitadas do País’’, explicou. Belinati não soube estimar o custo do serviço. Ele disse ter acertado detalhes do trabalho dos pesquisadores e auditores quando esteve em São Paulo, no início do mês, para a cirurgia de extração de células cancerígenas do rosto.
A festa da posse do prefeito eleito deveria trazer a Londrina a cantora Elba Ramalho. Mas o show foi cancelado ‘‘em respeito aos servidores e fornecedores’’, argumentou Belinati. ‘‘Não quisemos. É injustificável na atual circunstância. Seria dançar em cima da dificuldade de funcionários e fornecedores’’. Segundo ele, a solenidade de posse vai ser ‘‘das mais simples, sem pomposidade’’. A posse está marcada para as 18 horas do dia 1º, na Câmara de Vereadores. A transmissão de cargo acontece em seguida, na prefeitura. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais está anunciando uma manifestação na transmissão de cargo como ato de ‘‘despedida’’ ao prefeito Cheida, com o slogan ‘‘Cheida nunca mais’’.

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