Belinati admite PFL, mas com Alex fora
Patrícia Zanin
O prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido), convidado pelo presidente estadual do PFL João Elísio Ferraz de Campos para ingressar na sigla, está condicionando sua entrada no partido à dissolução do diretório municipal do PFL e ao consequente afastamento do atual presidente, Alex Canziani, seu ex-vice e atual secretário de Estado do Trabalho.
O prefeito não admite estar pressionando o diretório estadual para intervir, mas diz que, se isso não ocorrer, não lhe convém entrar no PFL. Se não houver entendimento, não vou forçar, mas não seria conveniente entrar no diretório sem espaço, afirmou ontem à Folha. O que Belinati quer é afastar Alex da corrida para a eleição de 2000.
Belinati alega que, se optar pelo PFL, precisa do apoio do partido principalmente porque quer ter serenidade para buscar coligações, no caso da disputa pela reeleição. O PFL local não precisa abrir mão da contribuição de seus grupos, afirma.
Belinati garante não ter trocado uma palavra sobre o assunto com Alex, com quem mantém aliança política desde 1996. Tenho que respeitá-lo porque ele chegou primeiro no PFL e até por estar lá antes, tem o direito de ter seus projetos. Se desejar inclusive ser candidato a prefeito, tenho que respeitar. Apesar de aliados, o prefeito diz que cada um tem de cuidar de seus projetos. Isso é independente da relação fraterna que eu tenho com o Alex.
Caso esses acertos com o diretório estadual não se concretizem, ele antecipa que seu caminho natural pode ser o PSB. Onde houver complicação, divergências internas, não vou forçar, afirma.
Belinati, que está adiando há meses sua escolha partidária, promete fazer sua opção o quanto antes. Quero ver se me liberto na próxima (nesta) semana deste problema, desta angústia. Ele havia prometido anunciar sua decisão ontem, mas voltou a adiá-la pela quarta ou quinta vez. A falta de entendimento com o PFL sobre a dissolução do diretório municipal é tida como o principal entrave, apesar das conversas que o prefeito tem mantido com João Elísio.
Procurado pela Folha, Alex Canziani disse ontem que o diretório municipal e a executiva, reunidos recentemente, decidiram não admitir a dissolução do diretório. Não tem motivo porque este diretório foi eleito numa convenção e não se abre mão dessa posição, afirma. Ele diz que já comunicou a decisão ao comando estadual.
Alex garante não fazer oposição à entrada de Belinati no PFL, mas seu possível ingresso não é unanimidade dentro do partido. Existem restrições. A própria bancada na Câmara de Vereadores é oposição, relaciona o secretário.
Ele confirma ainda não ter conversado com Belinati sobre esse assunto. A partir do momento que ele nos procurar vamos reunir os companheiros e discutir. Alex acredita que existe espaço num mesmo grupo para dois líderes como ele e Belinati, e descarta romper com o prefeito, com quem tem garante ter o melhor relacionamento.
Mas Alex pode estar apenas discursando, porque, questionado sobre a possibilidade de o atual diretório municipal lançar candidato a prefeito, admite a possibilidade. Existe uma orientação do PFL de lançamento de candidatura em todos os municípios do Estado, mesmo porque é uma definição nacional, mas agora não é o momento oportuno para essa discussão, que vai ficar para o ano que vem, afirmou.





