O prefeito Antonio Belinati (PFL) acusou ontem o promotor Cláudio Esteves, que investiga o caso AMA-Comurb, de ter se transformado em um ‘‘defensor dos vereadores’’ Orlando Bonilha (PDT) e Jacy Aguiar (PPB), com o intuito de prejudicá-lo. Belinati falou à noite à Folha e disse estar sendo alvo de uma manipulação envolvendo as fitas gravadas em seu gabinete, na quais os dois vereadores teriam pedido dinheiro para barrar o andamento de Comissão Processante contra ele na Câmara. Belinati garante ter entregue a fita original à Promotoria, e acusou Esteves de, deliberadamente, não ter pedido ao Instituto de Criminalística de Londrina, que periciou o material, a identificação técnica das vozes que constam das gravações.
‘‘Sem esse pedido formal, os peritos fizeram a degravação apontando simplesmente os interlocutores ‘A’ e ‘B’. O promotor não se preocupou em saber se a voz é do Belinati, do Jacy ou do Bonilha, pois é evidente que, confirmada a participação destes vereadores, eles não poderiam mais participar de qualquer processo contra mim no Legislativo’’, afirmou, irritado, o prefeito. ‘‘A questão é saber se estes vereadores estão ou não pedindo dinheiro ao prefeito. Muito mais importante que o fato de ser uma cópia ou não, é a comprovação do delito. A paixão com que o promotor ataca a fita, sem entrar no mérito do conteúdo, mostra que ele está nitidamente empenhado em cassar meu mandato’’, acrescentou.
O prefeito disse que ao mostrar pela primeira vez a fita, em sua chácara, utilizou efetivamente uma cópia condensada, com trechos nítidos de diálogos, para facilitar o trabalho da imprensa (‘‘imagine ficar duas horas rodando umna fita com trechos inaudíveis’’), e que ao ser solicitado pelo MP enviou também o original. ‘‘Se a Promotoria tiver qualquer dúvida, que faça então uma perícia na Unicamp (Universidade de Campinas, que possui um avançado laboratório nessa área)’’, disse o prefeito.
O advogado de Belinati, João Alberto Graça, disse estar convencido de que a intenção do MP, ao não pedir a identificação dos interlocutores, foi ‘destruir’ o conteúdo, ‘‘pois da forma como foi feita a perícia não se sabe quem disse o que’’. Segundo ele, deveria ter sido solicitada uma prova da fala dos três interlocutores e feita a comparação técnica. ‘‘Estamos sendo ludibriados, é uma situação absurda’’, denunciou. Graça sustenta que a Promotoria age com o objetivo de ‘desqualificar’ as provas contra os vereadores acusados de extorsão. Ele ameaçou ingressar com uma ação contra os promotores na Corregedoria da Procuradoria da Justiça, em Curitiba. A decisão será tomada após avaliar os documentos referentes às fitas que constam da medida cautelar inominada com a qual o MP ingressou na Justiça.

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