Carmem Murara
De Curitiba
A ANR – Comércio de Materiais de Construção Ltda, localizada em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), esteve em nome de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, até 24 de maio do ano passado e não até o final de 1996 como havia dito à Folha o atual dono do estabelecimento, Ricardo Barcellos. A data correta pôde ser comprovada na Junta Comercial do Paraná, onde foi feita a transferência do negócio e a mudança de endereço.
No documento, Beira-Mar e sua mulher e sócia no negócio, Elizete da Silva Lira, transferem o capital social de R$ 2 mil para os novos donos, Barcellos e sua mulher Luciana Aparecida Mendes Davim Barcellos. A assinatura dos papéis deve ter sido falsificada, pois a mesma pessoa assinou em nome de Luiz Fernando da Costa, de Elizete da Silva Lira e de Ricardo Barcellos. Barcellos e sua mulher estão sendo apontados como envolvidos na quadrilha e devem ser convocados para depor na Polícia Civil.
A loja de materiais de construção está sendo investigada, desde o início do ano, como ponto de fachada para lavar o dinheiro do narcotráfico. O local seria utilizado para tornar legal o dinheiro proveniente da venda de drogas no País. Um dos indícios é a movimentação financeira da empresa. Um policial que passou a investigar o ponto comercial verificou que a contabilidade mostra números incompatíveis com as vendas. A loja é pequena e atende apenas os moradores da localidade de Guaraituba, um bairro pobre do município de Colombo, mas mesmo assim apresentaria um faturamento e lucro como se fosse uma grande loja.
Entrevistado pela Folha, na última quinta-feira, Barcellos e sua mulher negaram qualquer envolvimento atual com Beira-Mar e com o narcotráfico. ‘‘Eu vim para cá, em 94, para ser gerente da loja dele (Beira–Mar), mas, em 96, quando ele foi detido e falaram que ele era isso aí (traficante) eu decidi comprar a loja e me afastar’’, afirmou.
Amigo de Beira-Mar desde a época de colégio, Barcellos sabe que a polícia está investigando suas possíveis relações com o narcotráfico. ‘‘Eles (policiais) estão por aí, mas não vão achar nada’’, disse o comerciante. As investigações feitas no local comprovam o que Barcellos diz. Não passam drogas pela loja, pois ela serviria apenas para ‘‘esquentar’’ o dinheiro da venda de drogas.Registro em junta comercial prova que loja de material localizada em Colombo pertenceu ao traficante até o ano passado
Arquivo FolhaReproduçãoDOCUMENTADOLoja localizada em Colombo. No detalhe, trecho do registro que comprova transferência de Beira-Mar para Ricardo Barcellos

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