O Banco Central (BC) atenderá ao pedido do Ministério Público Estadual (MPE) paraense e vai ajudar no aprofundamento das investigações sobre o desvio de dinheiro do Banco do Estado do Pará (Banpará). A solicitação para que a instituição forneça uma equipe técnica com o objetivo de auxiliar no trabalho dos procuradores chegou ontem às mãos do presidente do BC, Armínio Fraga.
As investigações põem, novamente, na berlinda o presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), citado em relatório do BC como um dos envolvidos no caso Banpará, quando era governador do Pará, entre 1983 e 1987. Fontes do BC informaram que assessores serão cedidos no trabalho de apuração do caso Banpará, pois é uma praxe da instituição atender pedidos desse tipo.
O Ministério Público paraense decidiu aprofundar as investigações para apurar a responsabilidade civil dos envolvidos. Os procuradores querem rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro do Banpará, no período em que Jader era governador, de uma conta que o governo estadual mantinha no banco estadual de titularidade do Funpará, para uma conta na agência Jardim Botânico do Banco Itaú, no Rio.
O nome de Jader reaparece essa semana também nas investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre o desvio de dinheiro da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Em Palmas (TO), onde concentra as apurações, a PF ouvirá hoje e indiciará o empresário Romildo Onofre Soares. Soares é aliado político de Jader em Altamira (PA) e tido como uma peça-chave do esquema de irregularidades no órgão.
Na última sexta-feira, o sogro do empresário, Pedro Antônio da Silva Sobrinho, contou à PF que recebeu uma casa em troca de serviços como ‘‘laranja’’ do grupo liderado por Soares. A expectativa é a de que Soares revele os nomes dos principais líderes do grupo que fraudava a Sudam, uma vez que a PF acredita ser o empresário o testa-de-ferro de um esquema que atuava no Pará, Tocantins e Amapá.

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