Curitiba - Um parecer feito em dezembro de 1995, que foi revelado ontem pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a evasão de divisas para o Exterior através das chamadas contas CC-5 em Curitiba, demonstra que o Banco Araucária realizava operações irregulares de câmbio em 1994. O parecer, assinado pela então analista de processos administrativos do Banco Central (BC) Célia Marly Favaro, recomendava a suspensão cautelar das operações CC-5 pelas constantes operações de câmbio consideradas irregulares.
A conclusão foi tomada pela técnica do BC depois da análise de operações que somavam mais de US$ 2 bilhões. Quatro meses depois do parecer, o Banco Araucária continuava operando em Curitiba com contas CC-5 e recebia uma autorização especial do BC para operar câmbio também em Foz do Iguaçu. ''Isso me pareceu estranho, no mínimo. Algo não está batendo. Como uma empresa que opera de forma irregular pode fazer transações de câmbio não só em Curitiba como também em Foz do Iguaçu'', questionou o deputado federal, José Mentor (PT-SP), relator da CPMI.
Ouvida ontem pela CPMI, Célia disse que não lembrava os detalhes do procedimento administrativo que foi aberto para analisar as operações consideradas por ela como irregulares e que eram feitas pelo Banco Araucária. Ela mesma depois de propor a suspensão cautelar do Araucária, remeteu o parecer e os autos para o Departamento de Câmbio (Decam) do BC. ''Propus o encaminhamento para o Decam e dali para frente desconheço o que aconteceu. É um espanto para eu saber que não só não foram suspensas as operações como também o Araucária tenha sido beneficiado com autorizações especiais de funcionamento. É muito estranho'', afirmou ela.
Célia contou aos parlamentares que integram à CPMI em Curitiba que as autorizações especiais eram concedidas pelo próprio Decam. No mesmo parecer, ela também diz que o Araucária tinha problemas relacionados à fiscalização bancária. ''Eu seguia normas técnicas para avaliar as operações e os processos administrativos. Se cheguei a essas conclusões, foi embasada nas normas do próprio BC'', disse ela, hoje aposentada.
Além de Célia, foram convocados para prestar esclarecimentos na CPMI do Banestado os funcionários do BC, José Rafael Schimitt Neto e Jackson Pitombo Cavalcante Filho. Até o fechamento desta edição nenhum dos dois tinha sido ouvido. Os parlamentares querem descobrir os motivos pelos quais autorizações especiais foram dadas para agências de Foz do Iguaçu e que acabaram motivando a remessa de mais de R$ 10 mil para o Exterior sem a identificação dos remetentes. ''Essas autorizações especiais foram dadas somente para algumas agências e somente em Foz do Iguaçu. Temos que saber os motivos'', disse Mentor.
Em depoimentos anteriores, o próprio funcionário do BC, George Pantelíades (que foi novamente convocado ontem, mas não havia dado seu depoimento até o fechamento desta edição), revelou que as operações eram realizadas para repatriamento de dólares que circulavam pelo Paraguai através dos sacoleiros.

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