'BC não é culpado pela quebra do Banestado'
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quarta-feira, 16 de abril de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A ex-diretora de Fiscalização do Banco Central (BC) Teresa Grossi admitiu ontem, em seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada pela Assembléia Legislativa para investigar irregularidades no Banestado, que o BC só pôde exercer efetivamente a sua função de fiscalizar os bancos públicos a partir de 1997. Antes, de acordo com ela, era comum existir um ''ambiente político'' nas instituições que não permitiam que o BC fizesse investigações necessárias.
''Antes o Banco Central só podia fiscalizar o que se esperava que ele fizesse'', afirmou. Esta dificuldade em atuar nas instituições públicas, segundo ela, era gerada por pressões políticas, que criavam obstáculos para o trabalho do BC. ''Só podíamos fazer fiscalizações pontuais, não dava para ter uma fotografia geral da situação do banco (Banestado)'', disse.
''Quando o Banco Central chegou no Banestado o rombo já estava lá. O BC não é culpado pela quebra do Banestado. Os culpados são os ex-diretores e ex-gestores do banco'', afirmou, descartando categoricamente a proposta apresentada pelo presidente da CPI, Neivo Beraldin (PDT), de que o governo federal e BC deveriam assumir a dívida de R$ 5,1 bilhão referente ao empréstimo feito pelo governo do Estado no processo de saneamento do Banestado.
Teresa Grossi também negou que o BC poderia ter evitado a quebra do banco caso tivesse feito uma intervenção em 1998, quando o Banco do Estado já apresentava prejuízo de R$ 2,6 bilhões. ''Este número consta no balanço do banco, mas não significa que com um investimento neste valor o banco ficaria são.'' Grossi explicou que já naquela época o Banestado necessitava de investimentos na ordem de R$ 4,1 bilhões para sanear a instituição, ou seja, para recuperar créditos, sanar débitos previdenciários e trabalhistas entre outros.
''Se o Banco Central ficou sabendo de irregularidades, como a concessão de créditos sem garantia, o rombo na Banestado Leasing, a compra dos precatórios podres, e não fez nada, é porque no mínimo ele foi cúmplice do que aconteceu'', disse o deputado Ângelo Vanhoni (PT), que apesar de não fazer parte da CPI, é ex-funcionário do Banestado e colaborou com a CPI ontem.
Em resposta, Grossi lembrou que as irregularidades na Banestado Leasing vieram a público graças ao trabalho de fiscalização do escritório de Curitiba do BC. ''Na fiscalização, foi descoberta uma operação de empréstimo cujo endereço era do pai de um diretor do banco. Foi este o fio da meada para mais investigações que levaram a uma série de operações irregulares.'' Segundo ela, as investigações dentro do Banestado resultaram em inúmeros processos administrativos e várias denúncias envolvendo ex-diretores do banco entregues ao Ministério Público Federal. As denúncias foram encaminhadas ao MP estadual somente em março deste ano.


