BC bloqueia R$ 47,8 milhões de investigados
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sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba - Em cumprimento à decisão proferida pela Justiça Federal do Paraná (JFPR), o Banco Central (BC) quebrou o sigilo fiscal e bancário de 16 investigados da sétima fase da operação Lava Jato e também de três empresas que mantêm ligação com alguns dos envolvidos. Ao todo foram bloqueados R$ 47.887.164,89, valor bem abaixo do estimado pelos investigadores da Polícia Federal (PF), que era de R$ 720 milhões. Em despacho publicado na última terça-feira), o juiz Sérgio Moro determinou que fossem bloqueados até R$ 20 milhões das contas de cada investigado por formação de cartel, corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.
O BC mantém um sistema próprio de identificação imediata de contas nas instituições financeiras de pessoas físicas e jurídicas. Os maiores valores bloqueados nas contas de executivos foram encontrados nas contas de Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix Engenharia (R$ 22,6 milhões); de Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC (R$ 10,2 milhões); e de Dalton dos Santos Avancini, presidente da Camargo Correa (R$ 852,3 mil). Em dois casos, o BC informou que nenhum valor foi encontrado: Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia; e Valdir Lima Carreiro, presidente da Iesa Óleo e Gás.
Nas contas do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato de Souza Duque foram bloqueados R$ 3,2 milhões e, na conta de uma de suas empresas, a D3TM Consultoria e Participações Ltda., R$ 140,1 mil. Em relação a Fernando Soares, conhecido como ``Baiano´´, e apontado pelas investigações como operador do PMDB no esquema de corrupção da Petrobras, foram bloqueados R$ 8,8 mil, entretanto, em duas de suas empresas (Hawk Eyes Administração de Bens e Technis Planejamento e Gestão em Negócios Ltda.) foram retidos R$ 8,5 milhões. Fernando presta depoimento hoje na Superintendência da PF, em Curitiba.
Ontem, estavam marcados pelo menos três depoimentos na Polícia: Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix Engenharia; além dos funcionários da OAS, Mateus Coutinho de Sá Oliveira e José Ricardo Nogueira Breghirolli, mas segundo os advogados, seus clientes não prestaram esclarecimentos. Nem Fábio Tofic Simantob, defensor da Engevix; nem Roberto Telhada, que representa a OAS, deram maiores detalhes sobre os executivos.
A Operação Lava Jato investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões e provocou desvio de recursos da Petrobras, segundo investigações da PF e do Ministério Público Federal (MPF). A nova fase da operação policial teve como foco executivos e funcionários de nove grandes empreiteiras que mantêm contratos com a Petrobras que somam até R$ 59 bilhões.
Parte desses contratos está sob investigação da Receita Federal, do MPF e da PF. Ao todo, 24 pessoas foram presas pela PF durante esta etapa da operação. Porém, ao expirar o prazo da prisão temporária (de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco), na última terça-feira, 11 suspeitos foram liberados. Outras pessoas, entre as quais Renato Duque, continuam na cadeia. Baiano se entregou na última terça-feira.


