O diretor de Finanças Públicas e Regimes Especiais do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas, informou ontem à CPI do Proer que preparou um relatório sobre a liquidação do Banco Bamerindus em que aponta ''indícios e suspeições'' de irregularidades praticadas no processo. O documento vai ser encaminhado até a semana que vem ao Ministério Público.

Freitas aponta em seu relatório os indícios de crime em dois pontos. O primeiro é o recebimento, pelo liquidante, de imóveis utilizados para pagamentos de dívidas com valores abaixo do normal o que, segundo o diretor, poderia indicar desídia ou locupletação entre os participantes do processo de liquidação. O outro é o contrato com a empresa CSN, cujos valores e condições poderiam indicar favorecimento irregular para a empresa.

As afirmações de Freitas confirmam as declarações do ex-controlador do Bamerindus José Eduardo Andrade Vieira de que existem indícios de irregularidades no processo de intervenção no banco.

O diretor do BC salientou que essas irregularidades além de outras apontadas em seu relatório são anteriores à administração do liquidante Gilberto Loschilla, que pediu demissão e foi substituído por Sérgio Prates em fevereiro de 2000. Questionado pelo deputado Ivan Valente (PT-SP), no entanto, o diretor do BC admitiu que Loschilla pode estar envolvido, embora reafirmasse que não encontrou sinais de que isso possa ter acontecido.

O presidente da CPI, deputado Gustavo Fruet (PMDB-PR), considerou graves as denúncias. ''Ficou claro que o diretor do Banco Central não aceitou uma auditoria feita pelo próprio Bacen. Ficou claro também que ele está determinando o envio de comunicação ao Ministério Público e também ficou evidente que o Banco Central tem que reformular a administração das intervenções e das liquidações'', disse Fruet.

Após o depoimento, a CPI do Proer decidiu pedir a quebra do sigilo bancário de todos os ex-liquidantes e ex-controladores do Bamerindus, Econômico e Nacional. O pedido de quebra foi apresentado pelo deputado Milton Temer (PT-RJ) e refere-se ao período entre dezembro de 1995 e março de 1997, quando os bancos receberam 90% dos R$ 20 bilhões aplicados pelo Proer. Paralelamente às investigações do Ministério Público, os deputados querem saber se os funcionários do Banco Central foram favorecidos no processo.

A ex-diretora de Fiscalização do Banco Central Teresa Grossi vai depor na próxima terça-feira na CPI. Ela ocupava o cargo na época em que foi aprovada a ajuda financeira aos bancos Marka e FonteCindan. A CPI também aprovou ontem a convocação dos controladores dos bancos HSBC, Unibanco e Excel e do presidente da associação de investidores minoritários do Grupo Bamerindus. Até 15 de dezembro, início do recesso parlamentar, os deputados vão ouvir também o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyla.

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