O senador Roberto Requião (PMDB) disse que espera para hoje a confirmação do Banco do Brasil de que o cheque da Prefeitura de Maringá, desviado pelo esquema de corrupção e utilizado para pagamento de débitos junto ao Instituto de Previdência do Congresso (IPC), beneficiou o deputado federal José Borba (PMDB-PR). Segundo Requião, o banco encontrou dificuldades na identificação do cheque porque o documento foi compensado como dinheiro.
No dia 30 de janeiro, Requião fez um pedido de autorização à Mesa do Senado para identificar o deputado beneficiário com um cheque de R$ 92 mil, da prefeitura, emitido no dia 28 de janeiro de 1999 e assinado pelo ex-secretário de Fazenda, Luis Antônio Paolicchi. Na ocasião, o banco tinha 10 dias para informar o beneficiário do cheque. ‘‘Esperamos agora apenas uma confirmação oficial, pois o próprio deputado Borba admitiu o recebimento para o Ministério Público’’, lembrou o senador.
Conforme Requião, o compromisso assumido por Borba, de que irá devolver o dinheiro, não exime o deputado do caso. ‘‘Ele alega que desconhecia a origem do dinheiro, mas a situação não é tão simples assim’’, destaca o senador. Para Requião, Borba deveria pedir a desfiliação do partido e evitar um ‘‘constrangimento maior’’ como da expulsão. ‘‘Mas é o diretório do PMDB de Maringá que deve iniciar o processo’’, ressaltou Requião.
A Folha não conseguiu localizar ontem o presidente do diretório municipal do partido, Umberto Crispim. O presidente não foi localizado no diretório, em casa e o celular não respondia chamadas.
O esquema de corrupção na prefeitura de Maringá era chefiado pelo ex-secretário Paolicchi, preso desde o dia 7 de dezembro do ano passado, acusado pela Justiça Federal de peculato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Na Justiça comum, Paolicchi responde a uma ação de improbidade administrativa junto com o ex-prefeito de Maringá, Jairo Gianoto (sem partido). O esquema pode ter levado dos cofres públicos mais de R$ 100 milhões.

mockup