A superintendência do Banco do Brasil no Paraná já instaurou uma auditoria para investigar o possível envolvimento dos ex-gerentes da agência Alto da Rua XV, Nilson dos Santos e Silviano Câmara Filho, com o esquema de lavagem de dinheiro dos precatórios, denúncia feita pelos senadores Roberto Requião (PMDB-PR) e Vilson Kleinubing (PFL-SC), na última sexta-feira. O corpo de auditores, supervisionado pela direção do BB em Brasília, promete divulgar um parecer sobre o caso até sexta-feira. O superintendente estadual Derci Alcântara não quis se pronunciar.
Silviano Câmara Filho, que atualmente responde por uma das gerências do banco na agência do Portão em Curitiba, disse à Folha ontem que está ‘‘proibido’’ de prestar esclarecimentos sobre as informações que deu no depoimento a Requião e Kleinubing, na Polícia Federal, por ‘‘ordens superiores’’. Câmara Filho responsabilizou o ex-superintendente do BB, Ernesto Capozzi, pela produção das procurações que autorizaram as transferências monetárias feitas entre as contas das empresas fantasmas e as dos proprietários da Transoceânica Passagens e Turismo e Transcorp Distribuidora de Títulos Imobiliários, Ernesto de Veer e Gerard Fuchs.
O ex-gerente da agência Alto da XV afirma ainda que as últimas três procurações foram produzidas por determinação de Capozzi na própria agência do BB e levadas até a sede da Transoceânica em Curitiba, para a anuência dos proprietários. Nenhum dos documentos, que segundo o depoimento de Câmara Filho encontram-se hoje arquivados junto as fichas de cada conta, foi datado, protocolado ou teve firma reconhecida. A Folha tentou contato ontem com Capozzi, mas a sua assessoria não retornou. O ex-superintendente aguarda alterações no estatuto do Banestado para assumir a vice-presidência.
Ernesto de Veer, que foi acareado frente ao ex-gerente na sexta-feira, engrossou as denúncias. Reconheceu as assinaturas nas procurações, mas alegou - de acordo com as cópias do depoimento tornado a público ontem pelo relator da CPI dos Precatórios, Roberto Requião - que não tinha conhecimento do teor dos documentos. O proprietário da Transoceânica acusa o BB de ter promovido uma montagem.
Veer disse que o ex-gerente mentiu no depoimento por ‘‘pressão da própria instituição do Banco do Brasil’’. O empresário acusa o BB de manter uma ‘‘conexão’’ com o Banco Amambaí, no Paraguai, em operações de câmbio. E que as declarações de Câmara Filho tiveram como objetivo ‘‘evitar maiores escândalos’’.
A auditoria do BB apura ainda as declarações prestadas por alguns funcionários à CPI dos Precatórios. A bancária Monica Dews garantiu aos senadores que nunca pagou em dinheiro saques superiores a R$ 50 mil, apesar do senador Kleinubing ter questionado a informação e apresentado um documento que atesta a liberação de R$ 100 mil.
Já a gerente Vera Lúcia Furman Lichs confirmou que as ‘fantasmas’ KWO Administração de Bens e Serviços Ltda, Asempre Consultoria e Assessoria Empresarial, WP Comércio de Cereais Ltda, Trasoceânica e Transcorp pertenciam ao mesmo grupo. E que Altair Bora, Eric Fuchs e Nilson dos Santos (ex-gerente do BB e atual sócio de Veer e Fuchs) eram os prepostos das empresas junto ao banco. A gerente informou o pagamento de dois cheques, em dinheiro e no mesmo dia (25.10.96), a Nilson dos Santos, nos valores de R$ 700 mil e R$ 280 mil.

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