Arquivo FolhaCompetitivoPaulo César Ximenes quer o BB em condição de igualdade com os três maiores concorrentes no prazo de 4 anos O Banco do Brasil quer demonstrar que não é uma empresa à beira da falência, conforme disse o presidente Fernando Henrique Cardoso. Acena com lucro para este ano e promete que, no prazo entre três e quatro anos, estará em igualdade de condições para competir com gigantes como o Bradesco, o Itaú e o Real, seus três maiores concorrentes no mercado doméstico. Mesmo a entrada no mercado brasileiro do Hong Kong and Shangai Bank não impressiona o presidente do Banco do Brasil, Paulo Cesar Ximenes, convencido de que a presença do grupo inglês só confirma que o ambiente de forte competição no setor está consolidado.
A diretoria do BB também se prepara para corrigir a forte distorção provocada pela ampliação da participação acionária do Tesouro Nacional e já estuda um conjunto de medidas para recuperar a posição que os seus 400 mil acionistas minoritários tinham até 1996, quando a União passou a responder por 72% do capital do banco, resultado do socorro de R$ 8 bilhões feito pelo próprio Tesouro.
‘‘O registro de prejuizo é uma página virada’’, assegurou à Agência Estado o diretor de Finanças e Relações com o Mercado do BB, Carlos Gilberto Caetano. Caetano atua na linha de frente da gestão da presidência do banco e é um dos responsáveis pela execução do programa de reestruturação, iniciado no ano passado. Há um ano, o BB convivia com ‘‘uma situação dramática’’, diz Caetano, para justificar a gigantesca injeção de recursos feita por seu principal acionista, o Tesouro Nacional.
Na época, foi lançado o programa de ajuste que elevou para 50 mil o número de funcionários demitidos, incluindo estagiários, e resultou no fechamento de 76 agências deficitárias e na recuperação de R$ 151,8 milhões de créditos já contabilizados como prejuizo. O banco, segundo Caetano, respondeu às medidas de diversificação de produtos e conseguiu elevar sua receita com a prestação de serviços em 43,2%, arrecadando mais de R$ 2,5 bilhões.
Esta melhora no desempenho da instituição, no entanto, não foi suficiente para reverter, ainda em 1996, o mega prejuízo de R$ 7,5 bilhões. Mas o que anima os administradores é a resposta obtida no segundo semestre de 96, período em que o BB obteve um lucro de R$ 254,9 milhões.
O diretor de Finanças e de Relações com o Mercado lembra a previsão do presidente Paulo César Ximenes de atingir a meta de um resultado positivo correspondente a 12% do patrimônio liquido até o final do seu mandato, no próximo ano. Isso significa que para um patrimônio líquido de R$ 6 bilhões, o BB teria de obter um lucro de R$ 720 milhões.
Caetano insiste, no entanto, que não existe o compromisso de conseguir este lucro este ano. ‘‘Estamos falando em uma meta’’, reforça. Trata-se, porém, de um resultado factível na medida em que o lucro R$ 254,9 milhões do semestre passado correspondeu uma taxa de retorno anualizada de 9,3% sobre o patrimônio líquido. E o BB prosseguirá com a estratégia de diversificação de produtos, com ênfase aos programas de seguridade social, melhor avaliação dos tomadores de empréstimos e uma postura conservadora no provisionamento de créditos duvidosos.
Carlos Caetano não cita nomes, mas confirma a avaliação que fêz o presidente Fernando Henrique Cardoso de que o BB ‘‘quase quebrou’’, devido aos erros de gestão cometidos nos governos anteriores. Faz parte da história do Banco do Brasil as ingerências políticas, ocupando espaço de uma administração profissional.
A instituição passou por três momentos críticos, em que a falta de agilidade na tomada de decisões foi fatal e quase provocou a quebra do banco no passado, não fosse os R$ 8 bilhões injetados pelo Tesouro Nacional. O primeiro momento foi em 1986, quando o BB perdeu a condição de ‘‘autoridade monetária’’ e foi proibido de emitir moeda.
O segundo choque foi com a adoção do frustrado Plano Cruzado, a primeira tentativa de estabilização da economia. Enquanto as instituições financeiras se ajustaram para enfrentar a perda de receita financeira provocada pela queda da inflação, o Banco do Brasil se manteve alheio ao processo e até mesmo aumentou seu quadro de pessoal.

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