Manter a máquina administrativa em funcionamento não tem sido fácil para os atuais prefeitos. Mais difícil ainda será para aqueles que receberam a missão de estruturar os novos municípios. A partir de 1º de janeiro, 28 distritos emancipados em todo o Estado ganham status de municípios. Antes mesmo da posse, os prefeitos eleitos estão tendo que improvisar e mostrar serviço para começar 97 trabalhando.
Em Tamarana, distrito emancipado de Londrina, a prefeitura e a Câmara vão funcionar provisoriamente num hospital desativado. Em Ariranha do Ivaí, distrito emancipado de Ivaiporã, um mercadinho reformado vai virar sede da prefeitura. Em Arapuã, também emancipado de Ivaiporã, a sede da prefeitura será instalada num bazar desativado e a Câmara numa antiga lanchonete.
Os dois prédios são vizinhos, alugados e estão passando por uma reforma geral prevista para terminar antes do dia 1º de janeiro, posse do prefeito eleito de Arapuã, Hélio Mathias (PTB), de seu vice, José Tarugueiro (PMDB), e dos nove vereadores. ‘‘A prefeitura terá cinco salas. A mobília nós estamos ganhando. Vai ficar tudo arrumadinho’’, comemora Mathias.
Ele é ex-vereador de Ivaiporã e agricultor e sabe que tem uma missão difícil pela frente - fazer o novo município funcionar com uma arrecadação prevista de R$ 80 mil mensais entre Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e ICMS. ‘‘Sei que o dinheiro é curto, por isso quero criar uma estrutura enxuta, com a contratação de 70 funcionários e fazer sobrar recurso para comprar máquinas e melhorar a infra-estrutura.’’
Ele disse que pretende gastar ‘‘no máximo’’ 40% de sua receita com a folha de pagamento, além dos 25% previstos na Constituição com educação. ‘‘Só aí já são 65%. Com o restante precisamos atender todo o resto do município’’, assusta-se. O prefeito eleito admite que sozinho terá dificuldade para implementar seu programa e está enviando projetos ao governo do Estado para obter recursos.
Entre as prioridades estão a readequação de estradas - segundo ele, o município tem 700 quilômetros de estradas rurais -, melhoria no sistema de saúde e investimento na educação. Mas para colocá-las em prática, falta praticamente tudo: a readequação de estradas exige máquinas, ainda inexistentes, como os recursos humanos para saúde e educação. ‘‘Confio no Estado, mas também vamos negociar com o município-mãe o maquinário a que Arapuã tem direito.’’
O novo município tem cerca de 6 mil habitantes, área de 13 mil alqueires e o plantio de soja, milho e feijão como principal fonte de renda. Apesar das dificuldades, Mathias garante que não se arrepende de ter batalhado pela emancipação do distrito. ‘‘Estou consciente do desafio e vamos lutar pelo melhor’’, garante.
Para comemorar a posse, ele promoverá um ‘‘bailão’’ no reveillon, na única quadra de esportes de Arapuã. ‘‘Será uma grande festa com foguetório e muita música.’’ Hélio Mathias vai governar com maioria na Câmara. A coligação dele, formada pelo PTB/PMDB/PFL elegeu sete dos nove vereadores - Vanilda Castro (PTB), Francisco Shimitd (PTB), Ivo Quirten (PTB), João Carvalho (PFL), Carlos Cesar Vieira (PFL), João Donizete (PMDB) e Sebastião Lima (PMDB). A oposição reúne Pedro Gonçalves Dias (PDT) e Vendolin Maia (PDT).

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