France PresseBoca abertaIntegrantes da Didá Banda Feminina se apresentam no Alvorada: elogios de Clinton, que ficou em transe durante a apresentaçãoO presidente norte-americano, Bill Clinton, ficou de boca aberta ao conhecer de perto, na madrugada de ontem, a ‘‘batucada da Bahia’’ que elogiou no discurso pronunciado no Palácio do Itamaraty. Depois do jantar oferecido em sua homenagem, no Palácio da Alvorada, Clinton assistiu a um show da Didá Banda Feminina, grupo de percussão da Bahia. Sentado logo à frente do palco, ele pareceu entrar em transe a partir da terceira música, pouco depois da meia-noite. A seguir foi a vez da cantora Virgínia Rodrigues, também baiana, subir ao palco. Clinton, o presidente Fernando Henrique Cardoso e a primeira-dama brasileira, Ruth Cardoso, acompanharam algumas músicas com palmas.
Antes dos shows, Clinton e sua mulher, Hillary, foram até a ala residencial do palácio, ciceroneados por FHC e Ruth. O jantar, que terminou às 23h30, reuniu políticos, empresários, celebridades em geral e disparates em particular. Numa mesma mesa, que foi batizada de ‘‘Nova York’’ pelo cerimonial, estavam a roqueira Rita Lee e o ministro Paulo Renato (Educação). Já a atriz Sônia Braga, radicada em Nova York, dividiu a mesa ‘‘Washington’’ com as primeiras-damas Ruth e Hillary. Por lá também estavam o gordo Jô Soares e o magro Marco Maciel.
Sob um calor de mais de 30 graus nos salões do Itamaraty, Bill Clinton não recusou sorrisos nem apertos de mão e atendeu ao primeiro pedido do presidente Fernando Henrique Cardoso para escaparem de um dos temas mais polêmicos da visita. Questionado por um jornalista se tentaria convencer FHC a antecipar a criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) e a abertura do mercado brasileiro aos norte-americanos, Clinton ouviu o apelo do anfitrião: ‘‘Diz que não, diz que não’’, insistiu FHC. O presidente dos EUA deixou a pergunta sem resposta.
Clinton escapou da polêmica e da imagem de prepotente, mas não teve como fugir do calor insuportável na recepção. O presidente norte-americano pediu água a um garçom, da mesma bandeja que servia os convidados. Ruth Cardoso nem conseguiu esperar os discursos terminarem. Tirou um lenço branco da bolsa e tentou conter o suor do rosto. Parte das convidadas seguiu o gesto e aproveitou para retocar a maquiagem ali mesmo, diante dos presidentes.
No salão Brasília, estavam cerca de 400 convidados - menos da metade dos que haviam sido chamados para as boas-vindas a Clinton. Funcionários do Itamaraty e jornalistas ajudaram a preencher espaços vazios do salão. Alguns trechos dos discursos de FHC e Clinton foram abafados pelos gritos dos manifestantes, que protestavam do lado de fora do Ministério das Relações Exteriores.
Depois dos discursos, cenas explícitas de tietagem tomaram conta dos salões. Até o cozinheiro da recepção pôde satisfazer a curiosidade de ver o presidente norte-americano na sua primeira visita ao país. Maria Thomé, que se apresentou como ‘‘espiritualista e metafísica’’, levou uma máquina fotográfica para registrar sua proximidade com Clinton, a quem afirmou ter presenteado com cristais ‘‘energizados’’. Além de levar a foto, ela agarrou o presidente pelo braço, pela cintura, até beijá-lo no rosto. Clinton não se incomodou. Se esforçava para desfazer a imagem de arrogante e prepotente que marcaram as vésperas da visita.
Como o cerimonial dispensou a tradicional fila de cumprimentos, Clinton saiu pelo salão distribuindo indiscriminadamente apertos de mão e sorrisos, acompanhado de perto pelos seguranças. A maior parte dos diálogos se resumia a ‘‘Hello’’ e ‘‘You are welcome’’ (oi e seja bem-vindo). ‘‘O Clinton é mais bagunceiro do que eu’’, comentou FHC, que seguia poucos passos adiante e apresentava alguns dos convidados, surpreso com o desempenho e a descontração do colega.
Na fila de cumprimentos, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) tentou trocar idéias sobre o programa de renda mínima que defende. Segurando a mão de Clinton, ele aproveitou a oportunidade para cochichar nos ouvidos do presidente o pedido para pôr fim ao embargo comercial a Cuba. Não teve resposta.
O cerimonial do Itamaraty dividiu os convidados da recepção em dois grupos: os que tinham de se submeter ao detector de metais e aqueles que passavam direto assim que mostravam o convite. Ministros de Estado e do Supremo Tribunal Federal (sete ao todo), assim como os parlamentares, eram dispensados da revista eletrônica, que desesperou alguns convidados quando disparava o alarme por causa de jóias e até suspensórios.

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