Battisti admite pela 1ª vez atuação em assassinatos; Bolsonaro ataca esquerda
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de março de 2019
Alberto Pizzoli/AFP 

Paris e São Paulo - O terrorista italiano Cesare Battisti, 64, admitiu pela primeira vez ter participado do assassinato de quatro pessoas nos anos 1970, como mandante ou executor, e de ações que deixaram três feridos ou envolveram roubo e furto com vistas a financiar os Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo que comandava à época.
A confissão foi feita ao procurador-geral de Milão, Alberto Nobili, em interrogatório conduzido no último fim de semana no presídio de Oristano (Sardenha) em que o ex-guerrilheiro está detido desde janeiro, quando foi capturado na Bolívia.
Battisti viveu no Brasil de 2004 a 2018, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que ele deveria ser preso e extraditado para a Itália, onde havia sido condenado já no fim da década de 1970 – e novamente nos anos 1980 pelos homicídios.
Antes, ele obtivera do governo Lula o status de refugiado. Em 2009, o STF determinou que ele fosse entregue a autoridades italianas, mas concedeu ao então presidente a palavra final. No ano seguinte, no apagar das luzes de sua gestão, o petista optou por manter Battisti em solo brasileiro.
O presidente Jair Bolsonaro (PSL), que durante a campanha eleitoral prometera extraditar o italiano, escreveu nessa segunda (25) em uma rede social que Battisti era um herói da esquerda que "vivia [em] colônia de férias no Brasil proporcionada pelo governo do PT e suas linhas auxiliares (PSOL, PC do B, MST)".
Segundo Bolsonaro, a decisão da Justiça brasileira de prender e mandar embora o terrorista, que o levou a fugir para a Bolívia, manda "um recado ao mundo: não seremos mais o paraíso dos bandidos!".


