Bate-chapa amanhã deve indicar rumos do PMDB
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - No que deve ser uma prévia da convenção estadual, prevista para junho, e até mesmo do pleito de outubro no Paraná, o PMDB realiza neste domingo a eleição para definir a presidência da legenda na capital paranaense, ocupada interinamente pelo deputado estadual Reinhold Stephanes Junior. A votação acontece das 8h30 às 13h30, na sede do partido no Estado, em Curitiba. Os correligionários escolherão ainda a nova Comissão Executiva, o Conselho Fiscal, com seus respectivos suplentes, e a Comissão de Ética e Disciplina.
Concorrem o próprio Stephanes, pela chapa "PMDB para todos", alinhada ao governador Beto Richa (PSDB) e ao ex-governador Orlando Pessuti (PMDB), e o deputado federal João Arruda (PMDB), sobrinho de Roberto Requião (PMDB), da "Frente Peemedebista", que naturalmente apoia a candidatura do senador ao Palácio Iguaçu. A princípio, o bate-chapa aconteceria em dezembro do ano passado, no entanto, foi adiado após um pedido do vice-presidente da República, Michel Temer, que buscava um consenso entre as duas alas.
Segundo Pessuti, secretário-geral do PMDB no Estado, a expectativa é reunir pelo menos 1.200 dos mais de 10 mil filiados da cidade. A exemplo de Curitiba, entre 45 e 50 municípios do interior também elegerão seus representantes neste fim de semana. "Até dia 23, nós deveremos regularizar a situação de 98% dos diretórios municipais e, até o final de março, eu espero estar com 100%, para que a gente possa, ao fazer uma prévia ou convenção, ter a presença de todos debatendo quem devem ser os nossos candidatos (em outubro)", afirmou.
A sigla em Curitiba vive situação de indefinição jurídica desde junho de 2013, quando uma intervenção retirou Requião do comando, sob a alegação de que o partido não havia atingido 10% dos votos nas últimas eleições. Na época, o imbróglio culminou com a dissolução de diretórios em 72 cidades. Um novo pleito chegou a ser convocado, mas o resultado foi considerado inválido.
Embate sem fim
"Eu estou buscando trazer novas ideias, novas lideranças, fazer o partido crescer. Sonho um dia em ser candidato a prefeito de Curitiba. E, para isso, as coisas têm de mudar. Havia um slogan que o Requião usou - voltar atrás nunca mais. Eu vou usar esse mesmo slogan. Chega de Roberto Requião", disse Stephanes, para quem a derrota do ex-governador seria um "símbolo da mudança". "Eu espero inclusive jogar a pá de cal nas pretensões dele de disputar o governo do Estado", provocou.
O parlamentar disse que, além de Pessuti, sua chapa conta com os apoios do ex-senador Sérgio Souza, do deputado federal Rodrigo Rocha Loures, do secretário de Estado do Trabalho Luiz Claudio Romanelli e dos companheiros de bancada na Assembleia Legislativa (AL) Ademir Bier, Jonas Guimarães, Teruo Kato e Caíto Quintana.
Já Arruda, que garantiu estar ao lado dos "peemedebistas autênticos", falou que irá enfrentar o pleito "de cabeça erguida, sem medo de perder". "Eles (adversários) acharam que formariam chapa única, mas montamos uma frente de resistência. Será uma disputa contra a máquina que foi estabelecida dentro do governo estadual, com aparelhamento e indicação de cargos comissionados por parte do deputado que concorre", alfinetou.
O deputado federal citou como apoiadores seu colega de Câmara Marcelo Almeida, a vereadora de Curitiba Noêmia Rocha, os deputados estaduais Anibelli Neto e Cleiton Kielse e outras "lideranças históricas", como as professoras Vera Mussi e Sheila Toledo. "O PMDB não pode ser uma ferramenta de comércio. A democracia interna tem de prevalecer. Temos mais de 100 mil filiados no Paraná e nossos projetos não podem ficar reféns de um acerto feito dentro de uma sala", completou.
Independentemente do resultado, o sobrinho de Requião adiantou que irá processar seus concorrentes, acusados por ele de terem promovido "filiações em massa" visando à eleição do diretório municipal. "O choro é livre. Se eles não conseguiram se articular
", comentou Stephanes. "Nós estamos conduzindo o processo com a maior lisura e transparência, coisa que eles (requianistas) nunca fizeram quando comandaram o PMDB", acrescentou Pessuti.
Para Arruda, porém, não se trata de choro, e sim de estatuto. "Choro é ver o partido entregue a pessoas que não têm nada a ver com a história do PMDB, gente do berço da Ditadura Militar", rebateu. Ao que tudo indica, o racha está longe de terminar.


