Tumultos e discussões marcaram os depoimentos de ontem no Ministério Público (MP) sobre as denúncias da existência de um caixa 2 na campanha do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). O motivo foi a insistência dos advogados do PFL em acompanhar o depoimento do funcionário da Risotolândia, Marcelo Bueno. A empresa é suspeita de ter sido usada como fachada para legalizar doações irregulares de dinheiro ao comitê de Cassio.

A confusão começou quando os advogados Omar Elias Geha e Gustavo Flores tentaram acompanhar o depoimento de Bueno. Quando o promotor José Geraldo Gonçalves ameaçou barrar a entrada, iniciou-se uma discussão, que só foi resolvida com a intervenção do advogado de Bueno, Joaquim de Melo. Ele autorizou um dos advogados a acompanhar o caso.

O coordenador da equipe jurídica que representa o PFL, Antônio Figueiredo Basto, anunciou que vai entrar com uma representação criminal contra Gonçalves, alegando impedimento do exercício da profissão. ''Ao contrário de nossos advogados, que têm educação e, acima de tudo, berço, esse promotor está tentando aparecer para a mídia.''

O episódio é mais um desdobramento da reivindicação do jurídico do PFL, que quer ter acesso aos documentos em poder do MP. Basto questiona a postura da promotoria, que mantém os autos em sigilo. ''Enviei um despacho na sexta-feira solicitando cópias dos autos e até agora não tive resposta. O despacho deve estar dormindo como um bicho-preguiça em uma prateleira.''

''Quem tem que decretar sigilo é o Judiciário'', disse Basto, que pretende entrar com um mandado de segurança hoje para ter acesso ao processo. A promotora Rosane Cits contestou. ''O MP tem o direito de autorizar o sigilo necessário para o bom andamento das investigações.''

Segundo o coordenador dos promotores que investigam o caso, Munir Gazal, os advogados do PFL só querem criar polêmica. ''Estamos mantendo o sigilo a pedido dos depoentes. Uma testemunha disse que ela seria morta se fosse a público o fato de ela ter vindo testemunhar'', afirmou.

Gazal foi ao MP após saber da discussão entre os advogados e os promotores. O coordenador, que estava de licença-médica, irritou-se com a cena. ''Ninguém vai tumultuar as atividades deste órgão. Vamos até o fim na investigação, não interessando se a investigado é o PFL, o PT ou o PQP'', retrucou.

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