Bate-boca em plenário faz governo retirar mensagem
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terça-feira, 13 de novembro de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Após a ''guerra'' travada no plenário da Assembléia Legislativa ontem à tarde, em função da participação do Estado em consórcios de lixo, o governador Roberto Requião (PMDB) anunciou, já no início da noite, a retirada da mensagem que trata do assunto da pauta do Legislativo. A decisão foi comunicada pela assessoria de imprensa do Palácio das Araucárias, que não informou quando o governador pretende colocar novamente a mensagem em discussão. O líder do governo, deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), disse apenas que Requião solicitou a retirada até que os parlamentares ''tenham um melhor entendimento'' da mensagem e ''de sua importância aos municípios e ao meio ambiente''.
Antes da decisão do governador, a segunda discussão da mensagem já havia sido transferida para hoje. É que irritado com a briga que se estabeleceu no Legislativo, o presidente da Casa, Nelson Justus (DEM), retirou o item três da ordem do dia, que tratava justamente do projeto de lei que permite a entrada do Estado no consórcio de lixo da Região Metropolitana de Curitiba.
Mas a polêmica gira em torno em especial do substitutivo geral à mensagem do Executivo, que também permite a inclusão do Estado em outros consórcios de lixo que se formarem no Paraná nas regiões de Londrina, Foz do Iguaçu, Apucarana, Maringá, Umuarama, Cascavel, Guarapuava, Campo Mourão e de Ponta Grossa. O substitutivo geral foi apresentado pela Comissão de Ecologia e Meio Ambiente.
''Retiro da pauta em nome do bom senso'', afirmou Justus. A decisão acabou sendo respeitada na hora, e ninguém questionou se o presidente da Casa teria tal prerrogativa. A segunda discussão do projeto estava sendo adiada pela segunda vez. Na semana passada, um acordo de lideranças permitiu a retirada da mensagem por uma sessão plenária.
O líder do governo, que defende o substitutivo geral a pedido do governador, chegou a bater boca em plenário com outros parlamentares. Romanelli teria pressa em aprovar a mensagem porque, como integrante do consórcio da região de Curitiba, o Estado pode indicar a Sanepar para administrar o lixo, desde que a proposta seja feita até o dia 28 de novembro, conforme adiantou a FOLHA na semana passada. Se nenhum dos integrantes do consórcio indicar uma empresa própria, haverá um processo de licitação para a escolha de uma empresa privada.
Para aprovar a mensagem, Romanelli enfrenta resistência até de integrantes da base do governo. O deputado Dobrandino da Silva (PMDB) quer retirar a região de Foz do Iguaçu do substitutivo geral alegando ser um pedido de ''vereadores e empresários'' da cidade. ''Já temos um aterro sanitário em Foz. Agora vamos ficar recebendo lixo de outras cidades?'', reclamou ele, propondo que uma audiência pública fosse realizada para debater o assunto. O diretor comercial da Sanepar, Natálio Stica, que ontem circulava pelo plenário para defender a proposta do Estado, disse que excluir Foz do Iguaçu é uma ''burrice''.
O fato do substitutivo geral ter incluído outras nove regiões ao projeto original foi o principal alvo das críticas. ''Nós nem vamos consultar os municípios? Eles realmente querem que o Estado entre no negócio do lixo?'', disse Augustinho Zucchi (PDT), acrescentando que a lista de cidades que consta no substitutivo geral foi feita de forma ''aleatória''. ''Por que Cascavel, por exemplo, não entrou? Ninguém sabe responder.''
A deputada Rosane Ferreira (PV) fez duras críticas à entrada da Sanepar no negócio do lixo. Segundo ela, somente 30% do esgoto de Araucária, município da região de Curitiba, é tratado. Em outras cidades da região da Capital, destaca ela, a situação ''é ainda pior''. ''A Sanepar vai ter que provar se tem competência técnica para gerir o lixo. Porque ela não cumpre nem com sua lição de casa.''


