Brasília - A ala do PMDB que defende a manutenção do partido no governo Lula está confiante de que conseguirá adiar a convenção nacional peemedebista, marcada para o próximo domingo, dia 12. Os governistas estão certos de que têm maioria dos 16 votos da Executiva Nacional do partido e que sairão vencedores da reunião, prevista para amanhã, para decidir sobre o futuro da convenção. Já o grupo de peemedebistas favorável à saída do partido do governo também garante que conta com a maior parte dos votos da Executiva do PMDB para realizar a convenção no domingo.
''Temos maioria na comissão Executiva do partido. A Executiva vai se reunir e espero que seja adiada a convenção'', disse ontem o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que defende a permanência do PMDB no governo. ''O que há é uma grande boataria porque eles não têm maioria na Executiva do partido. Tenho absoluta convicção de que não existe a hipótese deles ganharem'', afirmou o primeiro secretário da Câmara, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que é favorável que o PMDB deixe os cargos que ocupa no governo federal.
Assim como o partido, os integrantes da Executiva Nacional do PMDB estão divididos. A vitória de qualquer um dos lados será por um ou dois votos, no máximo. Para garantir a permanência do PMDB no governo, peemedebistas ligados ao Palácio do Planalto afirmaram que até o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, está participando das negociações com o partido através dos governadores do PMDB. O presidente Sarney, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e os ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, reuniram-se ontem pela manhã e chegaram à conclusão de que a maioria dos parlamentares é favorável à permanência do partido no governo. ''Dos 23 senadores do PMDB, 20 querem continuar com o governo. Dos 76 deputados, 51 defendem a permanência do governo. Temos 10 dos 16 votos da Executiva'', contabilizou Renan Calheiros.
''Estamos trabalhando para a unidade do PMDB, para encontrar uma saída em que ninguém saia machucado ou ferido desta convenção. Temos os números, temos os votos, mas queremos fazer tudo de uma forma negociada'', argumentou o ministro Eunício.
Diante da ampla maioria no Senado, os governistas divulgaram, no fim da tarde de ontem, nota afirmando que a bancada do PMDB na Casa considera a convenção nacional do partido ''inoportuna e incoerente com o momento nacional''.
A nota alertou ainda que ''seja qual for a sua decisão, dividirá irreversivelmente o partido''. Lembrou também que ''o PMDB, até agora, cumpriu um destacado papel na sustentação congressual e na manutenção da governabilidade do País. Pode até deixar de fazê-lo, mas teria de dar uma explicação aceitável para a opinião pública que, certamente, não entenderia um gesto extremo de ruptura repentina''. Dos 23 senadores, apenas Pedro Simon (RS), Mão Santa (PI) e Sérgio Cabral (RJ) defendem o rompimento do partido com o governo Lula.

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