Brasília - O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) rebateu ontem as afirmações de que o governo adotou a defesa da reforma política neste momento como forma de desviar as atenções da crise causada por denúncias de irregularidades ou para tentar esfriar CPIs no Congresso Nacional. ''Não estamos nem um pouco desviando a atenção da CPI'', disse ao deixar o 4º Fórum Global de Combate à Corrupção. ''Nós não pretendemos desviar nem desconversar a respeito de nada'', afirmou, reforçando que o governo agora apóia a CPI dos Correios.
Ontem, pouco antes da cerimônia de instalação dos conselhos nacionais de Justiça e do Ministério Público, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a elaboração de um relatório de avaliação das atuais discussões sobre reforma política. O texto será formulado em 45 dias por um grupo de ministros, sob o comando da pasta da Justiça.
Segundo Bastos, o governo não quer ''reinventar a roda e começar do zero'', mas apoiar as discussões que estão em curso no Congresso. Ele ressaltou que a reforma deve garantir o fortalecimento dos partidos políticos, a reorganização do sistema eleitoral e, principalmente, equacionar a questão dos financiamentos de campanha.
O ministro da Justiça respondeu ainda às declarações do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, que acusou o governo de usar a Polícia Federal para fazer uma política de Estado. ''Não podemos admitir que as operações policiais brasileiras sejam acionadas, divulgadas e colocadas em prática a cada momento de crise, na tentativa do governo de procurar uma justificativa para uma agenda positiva'', disse Busato.
Em entrevista à Rádio França, em Roma, o presidente da OAB afirmou também que houve falta de transparência do governo, que ''procurou impedir'' a apuração no início. Bastos disse que Busato faz discursos ''contra o câncer e a favor do verde'', isto é, repletos de ''lugares-comuns que não levam a nada''. ''É o tipo de coisa de quem não tem o que dizer''.

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