Rio de Janeiro - O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) disse ontem que o suposto envolvimento de Freud Godoy com a compra de um dossiê contra o ex-ministro José Serra será investigado pela Polícia Federal. ''Se ele estiver envolvido, vai ser investigado, indiciado ou inocentado'', afirmou.
Segundo Bastos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não que acredita no envolvimento de Freud Godoy com a suposta tentativa de compra de um dossiê contra o ex-ministro José Serra. Bastos afirmou que o presidente ficou ''indignado'' e que não ''compactua com essa história de dossiê''. Bastos disse que o PT nunca se utilizou de dossiês para atacar adversários e citou o caso Cayman, que envolveria Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
O ministro afirmou que disse que a ''atmosfera eleitoral'' está ''incendiada pela grande vantagem de Lula nas pesquisas''. ''Faltando 15 dias para a eleição é difícil manter a calma e a serenidade. As pessoas têm que ser investigadas. Não podem fazer jogo eleitoral.''
O PSDB e o PFL pediram ontem para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a cassação do registro de candidatura de Lula após o escândalo do dossiê.
Bastos disse que conversou com o presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, e ficou definido que a PF vai investigar o caso. Ele disse que pedirá para a Procuradoria-Geral da República indicar procuradores para acompanhar esse inquérito dentro dos ''padrões do trabalho e investigação''.
Questionado sobre a declaração do presidente do PFL, Jorge Bornhausen, que disse não confiar nos trabalhos da PF, Bastos respondeu: ''Faz parte da atmosfera eleitoral (essa declaração de Borhausen). Também posso dizer que não confio em Bornhausen, mas não vou dizer.''
Em nota divulgada ontem, a revista ''IstoÉ'' negou envolvimento na suposta compra de um dossiê contra o tucano José Serra, candidato ao governo de São Paulo. A última edição da revista traz uma entrevista com o empresário Luiz Antônio Vedoin, que afirma que o esquema de compra superfaturada de ambulâncias teria começado quando Serra era ministro da Saúde do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. De acordo com Vedoin, do total de 891 ambulâncias comercializadas pela Planam entre 2000 e 2004, 681 tiveram verba liberada até 2002, durante a gestão de Serra e Barjas Negri. (Clarice Spitz/Folhapress)

mockup