Brasília - Dois dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que existe uma ''caixa-preta'' no Judiciário, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) pregou ontem a promoção de uma reforma ''radical'' no Poder. ''Precisamos fazer uma reforma radical do Poder Judiciário no Brasil. E nisso está implicado o sucesso ou o fracasso de nossa luta contra a violência'', afirmou.
Bastos costuma dizer que o combate ao crime organizado deve ser estruturado em três eixos: modernização e integração das polícias, renovação da administração do sistema penitenciário e reforma da aplicação da Justiça. Durante visita a Vitória (ES), na terça-feira, Lula citou a necessidade de se reformar o Poder Judiciário. O presidente também defendeu a implementação do controle externo das atividades da magistratura.
As idéias de Lula foram recebidas com protestos nos tribunais superiores. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio de Mello, classificou a postura do petista de um ''desserviço'' à sociedade. A resistência de ministros dos tribunais superiores, notadamente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), fez com que Bastos admitisse adiar o início dos debates sobre o controle externo. Apesar disso, o ministro considera ''indeclinável'' o controle externo do Poder e quer que isso faça parte da reforma.

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