Curitiba – O advogado de Alberto Youssef, Antonio Figueiredo Basto, negou veemente ontem as acusações feitas por Leonardo Meirelles, "testa de ferro" do doleiro, de que o londrinense estaria omitindo informações sobre o tamanho de seu patrimônio no acordo celebrado com a força-tarefa da Lava Jato. Reportagem de domingo do jornal "Folha de S.Paulo" trouxe declarações do empresário, dizendo que Youssef teria de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões, e não cerca de R$ 50 milhões, como está no termo de colaboração.
Meirelles é diretor-presidente do laboratório Labogen e ficou preso entre 17 de março e 11 de abril de 2014. Deixou a carceragem da Polícia Federal (PF) após colaborar espontaneamente com as investigações. Caso a acusação seja verdadeira, o doleiro pode ter seu acordo de delação suspenso.
"Não é uma acusação formal, foi feita pela imprensa. Vamos ver se terá uma investigação sobre isso. Quem fala, prova, e ele terá que provar o que está dizendo. Ele fez duas acusações nos autos e não provou nenhuma. E tenho certeza de que ele não vai conseguir provar", ressaltou.
Em seu interrogatório realizado em outubro do ano passado, Meirelles disse que políticos do PSDB, entre eles o senador falecido Sérgio Guerra, ex-presidente do partido, e um influente político que nasceu em Londrina, teriam recebido propina do doleiro. Meirelles é réu no processo que apura o envio de US$ 444,7 milhões ao exterior por meio de operações fraudulentas, o equivalente a R$ 1,1 bilhão.
À época, Basto rebateu as declarações de Meirelles e chegou a protocolar um pedido de acareação entre Youssef e Meirelles, mas que foi negado pelo juiz federal Sério Moro. "Se preciso, vamos pedir uma nova acareação entre os dois", completou.

PETROBRAS

René Dotti, defensor que representa a Petrobras, informou ontem, na saída da primeira audiência de testemunhas de acusação da sétima fase da Operação Lava Jato, em Curitiba, que a estatal já abriu procedimentos administrativos contra ex-funcionários envolvidos nas investigações da PF e Ministério Público Federal (MPF). Além disso, Dotti reforçou o posicionamento da empresa em auxiliar as autoridades na apuração de todos os crimes.
"Não há, da parte da Petrobras, nenhum interesse em sonegar informações e nem de proteger qualquer um dos acusados. Há um interesse público no caso e que a Petrobras está atendendo", afirmou.
Segundo o advogado, a defesa vai acompanhar todas as audiências já marcadas na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba e, além disso, conforme Dotti, tem mantido contato permanente com o juiz Moro e com os procuradores da força-tarefa do MPF. "A Petrobras evidentemente é vítima de tudo isso. Sofreu um dano patrimonial muito grande e está caracterizada no processo como vítima. Já foram encaminhados diversos documentos para as autoridades durante estes meses todos", disse. (R.C.J.)

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