Bastidores revelam tensão
Arquivo FolhaÉ ASSIMMalan: ‘‘O que o presidente Fernando Henrique anunciou é o que o governo pode fazer e vai fazer’’Arquivo FolhaNÃO É ASSIMLupion: ‘‘A proposta do governo resolve para adimplentes; queremos solução para inadimplentes’’Na prática, nos bastidores da Câmara, a operação para desativar as pressões contra o Tesouro Nacional começou depois de uma reunião tensa do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, com os integrantes da Comissão de Agricultura no gabinete da liderança do governo. Essa reunião aconteceu na terça-feira, no final da tarde, depois de outra reunião do conselho de líderes no gabinete do presidente da Câmara, Michel Temer. No decorrer das negociações, o impasse ficou claro.
O vice-líder do governo na Câmara, Darcísio Perondi (PMDB-RS), que vinha acompanhando os entendimentos em nome da liderança, antecipava, antes mesmo do final da reunião, que não haveria acordo porque as duas propostas estavam muito distantes. Perondi avisava que, mesmo na hipótese de aprovação do projeto na Câmara, os produtores corriam o risco de ficar sem crédito porque o Senado não iria apreciar a proposta dos ruralistas antes de março do ano que vem. ‘‘Todos perdem porque, se o produtor não conseguir crédito, não planta e a safra cai’’, dizia Perondi.
Ao sair da reunião, o deputado Abelardo Lupion (PFL-PR), anunciava a rebelião da bancada ruralista. ‘‘Vamos votar a urgência’’, dizia. ‘‘A proposta do governo resolve o problema de quem está adimplente, queremos resolver o problema de quem está inadimplente’’, justificava. Uma hora depois, já no plenário, ele aceitava a proposta de adiar a votação da urgência para a manhã seguinte.
O acordo pegou de surpresa o coordenador da bancada ruralista, deputado Augusto Nardes (PPB-RS), que insistia na votação, mas aceitou o adiamento, convocando uma reunião da bancada para a manhã seguinte, quando seria definida a estratégia para votar também o mérito da proposta. Nesse momento, alguns ruralistas já percebiam que a bancada estava dividida.
O líder do PTB, Roberto Jefferson (PTB-RJ), já advertia os ruralistas de que o melhor seria não enfrentar o governo e seus líderes. ‘‘Ninguém vai enfrentar o rolo compressor do governo. Os leões que rugem agora vão virar gatos no plenário na hora de votar’’, observou Jefferson. O que aconteceu exatamente durante aquela noite não se sabe. Mas um líder governista confirma que os articuladores políticos do governo, tendo à frente o ministro Pratini de Moraes e o Secretário-Geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, não dormiram trabalhando para rachar a bancada ruralista.
Um dos argumentos usados pelos governistas é o de que os ruralistas estavam armando o palanque para consolidar o retorno da liderança de Ronaldo Caiado e, lateralmente, gerando fatos para proveito da oposição de esquerda. Nos bastidores correu a insinuação de que o governo ‘‘vazaria’’ uma lista de 40 deputados ruralistas com o valor de suas dívidas milionárias no Banco do Brasil. Se isso ocorresse, o plenário ficaria naturalmente constrangido de patrocinar o interesse pessoal de colegas. (A.E.)

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