Bastidores da eleição esquentam em Londrina
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sábado, 28 de fevereiro de 2004
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
A menos de oito meses para digitar seu voto na urna, o grande eleitorado londrinense tem nos boatos e especulações seu único contato com as eleições municipais de 2004. Nos bastidores da política, ao contrário, os trabalhos voltados à disputa já são intensos. Atados ao calendário determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), partidos e pré-candidatos vão se mexendo como podem, correndo atrás de alianças, visitando comunidades e aproveitando a propaganda partidária gratuita, permitida até o final de junho.
Por ora, os partidos são cautelosos ao responder sobre possíveis candidatos ou aliados. Mas pelo menos nove das 24 siglas registradas em Londrina (segundo dados da Justiça Eleitoral) relataram à Folha uma convicção: lançar nome próprio para disputar a prefeitura. A postura é observada mesmo em partidos pequenos, como PMN e PSDC.
Legalmente, as siglas terão o prazo de 10 a 30 de junho para definir coligações e candidatos, durante as convenções. Até lá, há grandes chances de que o quadro de postulantes fique mais enxuto, como ocorreu nas duas últimas eleições municipais. Em 1996, foram apenas quatro candidatos, um a menos que no pleito de 2000. Ambas as eleições tiveram praticamente os mesmos partidos figurando na cabeça de chapa: PDT, PMDB, PSDB e PT. Em 2000, o PFL também entrou na disputa.
Embora confirme o propósito do PDT em lançar nome próprio, o deputado estadual pelo partido, Barbosa Neto, é o mais realista dos ''prefeituráveis'' ao comentar sua possível candidatura e a questão das alianças. ''Em cidades como Londrina essa decisão passa necessariamente pelo comando estadual do partido, não dá para se declarar candidato de si mesmo'', assinala.
Algumas siglas acreditam na aliança com as menores para garantir chances de disputa. Antecipando essa tática, o PL chamou para uma reunião, no final do ano passado, 12 partidos da cidade. ''A idéia é fortalecer os partidos pequenos para a união. A pretensão de lançar candidato próprio é unânime dentro do PL e precisamos de pelo menos mais dois ou três partidos conosco'', diz o presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Orlando Bonilha, nome mais cotado no PL para assumir o comando do Executivo.
O vereador Félix Ribeiro (PMN), que se anuncia como nome de consenso no partido para disputar a prefeitura, também confia que a união dos menores faz a força. ''Estamos adiantados nas conversas e temos grandes chances de formar um 'chapão'. Nossa decisão de lançar candidato a prefeito é irreversível, até para aumentar as chances dos candidatos a vereador'', sustenta, ressaltando a baixa rejeição da desconhecida sigla como fator preponderante para o ganho de votos.
Além da indefinição de alianças, dentro de alguns partidos o próprio candidato ainda é uma incógnita. No PMDB, de acordo com o presidente do diretório municipal, Miguel Alves Pereira Jr, tudo indica que a escolha só será conhecida após as convenções de junho. ''Por enquanto, nossa única decisão é viabilizar a candidatura própria, que sabemos, por meio de levantamentos, ter grandes chances de vitória'', garante. Aspiram à candidatura, pelo PMDB, a deputada estadual Elza Corrêa e o secretário do Estado do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida.
O PFL é outro partido onde pairam apenas especulações. O presidente municipal, Farage Khouri, prevê que haja alguma definição nos próximos dias. ''Estamos estudando alguns nomes, entre os quais me incluo. Temos alianças em vista, mas em política é preciso cautela ao falar sobre isso, pois o cenário ainda pode mudar muito.''


