'Basta de denuncismo', diz vereador acusado
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
O presidente da Comissão de Ética Parlamentar (CEP) da Câmara de Londrina, Roberto Kanashiro (PSDB), confirmou ontem que o alvo da nova denúncia encaminhada por um industrial ao Ministério Público (MP) é o vereador Orlando Bonilha (PR). Enquanto Kanashiro declarou que os empresários também devem ser investigados como ''corruptores'', Bonilha reagiu em Plenário exigindo ''um basta ao denuncismo''.
A mais recente denúncia, que deve embasar uma nova ação a ser proposta pelo MP à Justiça entre hoje e segunda-feira, dá conta de que o proprietário de uma indústria teria sido ''forçado'' a pagar propina a vereadores a fim de conseguir a aprovação de um projeto que alterava o zoneamento de uma área para a instalação do empreendimento. O caso teria ocorrido há cerca de quatro anos, mas somente na semana passada o empresário resolveu relatá-lo ao presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), Nelson Brandão, que o encaminhou a um promotor.
Ceal e MP não quiseram divulgar o nome do vereador que teria recebido o dinheiro. Já Kanashiro afirmou à imprensa que recebeu a confirmação, na tarde de ontem, de que ''o investigado seria Bonilha'' - sem deixar claro qual foi a fonte da informação.
O corregedor da Câmara, vereador Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), reuniu-se também à tarde com os promotores Leonir Batisti e Jorge Barreto, mas saiu do encontro de mais de uma hora afirmando que não recebeu novas informações. ''Eles preferem formalizar a denúncia primeiro'', declarou, sem mencionar o nome de Bonilha.
O vereador do PR fez uso da palavra durante a sessão de ontem para tratar do que chamou de ''assunto lamentável''. Disse estranhar o fato de que uma matéria ''com todos os pareceres favoráveis'' - conforme divulgou o Ceal - tenha precisado de propina para ser aprovada e afirmou que ''isso coloca em xeque todos os projetos aprovados na Câmara''. ''Acaba atingindo a Casa como um todo. Até quando vai continuar esse denuncismo sem elementos contra qualquer desses vereadores?'', lançou Bonilha, que era presidente da Câmara à época que o suposta extorsão do industrial teria ocorrido.
Segundo Kanashiro, o próprio corregedor poderá encaminhar a denúncia à Mesa Executiva se julgar que houve conduta incompatível com o decoro parlamentar. Seria o caminho para a abertura de uma Comissão Processante e uma possível cassação. Atualmente, está nas mãos da CEP a investigação de outras três denúncias de extorsão contra Bonilha, Renato Araújo (PP), Flávio Vedoato (PSC) e Osvaldo Bergamin (PMDB).
Pela primeira vez, o presidente da comissão disse que os empresários que teriam pago propina ''com certeza seriam corruptores'' e também deveriam ser investigados. ''Não entendemos por que eles não estão sendo processados como corruptores. Empresário nenhum precisa pagar para ter seus interesses defendidos na Câmara'', declarou.


