Bassi é ouvido em segunda investigação contra Gouvêa
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segunda-feira, 29 de março de 2010
Janaina Garcia<BR> Reportagem Local 
A Comissão de Ética da Câmara de Vereadores de Londrina tomou ontem o depoimento do vereador Ivo de Bassi (PTN) pela investigação que apura suposta conduta atentatória ao decoro parlamentar contra o vereador Rodrigo Gouvêa (PRP). Dessa vez, o Legislativo apura se Gouvêa teria tentado esvaziar o plenário quando da votação do projeto ''Minha Casa, Minha Vida'', em junho passado. No Ministério Público (MP), o caso foi denunciado como concussão e improbidade administrativa. Segundo a Promotoria, Gouvêa teria se valido do cargo para cobrar vantagem do empresário Maurício Costa, interessado na apreciação da matéria. A construtora de Costa executou as obras da primeira etapa do programa em Londrina.
A representação foi formulada pela Corregedoria no começo de dezembro. Na ocasião, o corregedor da Casa, Rony Alves (PTB), apontou falta de provas de que teria havido cobrança de propina por parte do vereador - tais como filmagem, depósito ou gravação, por exemplo.
A Comissão de Ética ouviu Bassi porque, segundo depoimento dele ao MP no final do ano passado e mesmo à Corregedoria, o parlamentar teria recebido as investidas de Gouvêa a deixar o plenário na votação da matéria e, com isso, criar obstáculos à aprovação dela na Casa. Ontem, ele confirmou a versão ao grupo. ''Após uma reunião do (João) Verçosa (presidente da Cohab) e do Maurício na Presidência, aquele dia, para explicar o projeto, o vereador me chamou e pediu que saísse do plenário na votação, pois depois chegaria no empresário e acertaria com ele'', afirmou Bassi.
Indagado sobre o porquê de, dentre outros 18 vereadores, Gouvêa supostamente ter feito tal pedido a ele, analisou: ''Porque sou do grupo de vereadores 'solteiros', ou seja, que não têm outros pares no mesmo partido. Seríamos em cinco nessa situação, e, segundo o Rodrigo, era esse o 'blocão' dele'', concluiu.
O presidente da Comissão de Ética, Gérson Araújo (PSDB), informou que nos próximos dias o grupo chamará Gouvêa a depor. Tanto o tucano quanto a assessoria de imprensa do Legislativo confirmaram que Gouvêa e o advogado dele - ambos negam tentativa de achaque contra o engenheiro -, foram notificados pessoalmente da audiência de ontem e, mesmo assim, não compareceram. O chefe de gabinete de Gouvêa, Fernando César de Barros, acompanhou o depoimento de Bassi. Para o tucano, a suposta tentativa de obstrução de votação indica atentado ao decoro, cuja pena pode variar de mera advertência a suspensão do mandato por até 30 dias.
Já a representação contra Gouvêa por quebra de decoro, por suposto uso de dinheiro público para manter uma assessora que prestaria serviços de cabo eleitoral, gerou uma Comissão Processante (CP) cujos trabalhos têm de estar encerrados até 9 de maio. Se aceita denúncia do corregedor pela CP e pelo plenário, Gouvêa pode ter o mandato cassado.


