Bases retaliam deputados que votaram contra projeto da Copel
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sábado, 25 de agosto de 2001
Valmir Denardin<BR>De Curitiba 
Deputados que votaram contra o primeiro projeto de iniciativa popular da história do Legislativo paranaense, que tentava impedir a venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel), começam a sofrer ''retaliações'' em suas bases eleitorais. No próximo sábado, o Fórum Popular Contra a Venda da Copel que reúne cerca de 400 entidades e conseguiu 120,9 mil assinaturas para a apresentação da proposta na Assembléia vai promover o ''enterro simbólico'' dos 27 parlamentares que derrubaram o projeto. A manifestação ocorrerá nas cidades de origem dos deputados.
Até agora, a reação mais forte aconteceu em Dois Vizinhos (46 quilômetros ao norte de Francisco Beltrão), base eleitoral de Luiz Fernandes Litro (PSDB). Ele foi o pivô da disputa porque, oposicionista até as vésperas da votação, mudou de lado e deu o voto que o governo precisava para derrubar o projeto. O placar ficou em 27 a 26.
Na semana passada, faixas contra o deputado foram colocadas em pontos estratégicos de Dois Vizinhos. Em uma delas está escrito: ''Litro: sua traição nos envergonha''. Além do deputado, as faixas atacam também o governador Jaime Lerner (PFL) e o secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra.
Na sessão da Câmara Municipal na semana passada, todos os vereadores que se opõem a Litro estavam vestidos de preto, simbolizando luto. O presidente do diretório municipal do PSDB, Olvides Fontana, disse que o partido ficou numa situação constrangedora. ''O partido ainda não se reuniu para discutir esse assunto, também não sabemos se o deputado permanece ou não no PSDB.''
Em Campo Mourão, o deputado Nelson Turek (PFL) foi alvo de quatro outdoors e uma faixa, nos quais é acusado de ''traidor''. Os outdoors foram patrocinados pelo núcleo local do Fórum Popular Contra a Venda da Copel e a faixa, pelo Sindicato dos Bancários. Em entrevista a uma emissora de TV local, Turek havia dito que votaria contra a venda da estatal para garantir dinheiro para a construção de obras na região.
Em Ponta Grossa, os vereadores aprovaram um ''pacto de honra'', no qual se comprometeram a não apoiar na campanha de 2002 os deputados que votassem contra o projeto de iniciativa popular. Mas alguns vereadores já começam a rever suas posições.
É o caso de João Luiz Kovaleski, do mesmo partido do deputado Plauto Miró Guimarães (PFL), que votou contra o projeto. Kovaleski diz que era contra a privatização mas, já que não foi possível impedi-la, vai cobrar do deputado a ''parte que Ponta Grossa merece receber do dinheiro da venda da estatal''.
Nesta semana, o Movimento pela Ética e Cidadania e a Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa (Acipg) poderão incluir o nome de Plauto Miró em um painel fixado na frente da sede da associação. Desde 1999, esse painel vem registrando a postura do Executivo e do Legislativo da cidade quanto a assuntos polêmicos. Agora, a cobrança pode ser estendida à esfera estadual. O outro deputado de Ponta Grossa, Luiz Carlos Zuk (PDT), votou a favor do projeto que tentou impedir a venda da Copel.
(Com reportagem de Heloísa Inocêncio, de Pato Branco; Denise Angelo, de Ponta Grossa; e Sid Sauer, de Campo Mourão)


