Base quer rever antecipação do IPVA
Leandro Donatti
De Curitiba
Parte da base aliada do governador Jaime Lerner (PFL) na Assembléia Legislativa revelou ontem uma ponta de arrependimento pela aprovação antecipada da cobrança do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), em vias de se transformar em lei. O deputado estadual Augustinho Zucchi (PSDB) foi o primeiro a romper a relação de obediência 100% e demonstrar o seu descontentamento com os reflexos provocados pela medida, avalizada por ele em plenário, e na iminência de ser sancionada por Lerner, de volta dos Estados Unidos.
Um grupo de deputados quer se reunir com o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, e tentar rever alguns pontos, anunciou, sem citar nomes. Zucchi, que fala hoje pela manhã com Gionédis, disse que o governo Lerner pode sancionar a lei e depois baixar uma medida administrativa revendo alguns pontos. Pelo menos para aqueles que pagaram o IPVA em outubro, novembro e dezembro. Do jeito que está não dá. Eles vão ter de desembolsar dinheiro para o imposto agora neste início de ano, de novo, contabilizou o governista, sem esconder que está sentindo na pele a reclamação, no interior do Estado.
Zucchi afirmou que a base governista votou naquilo que o Palácio Iguaçu indicou como a melhor forma para resolver a questão IPVA, mas deu a entender que os reflexos não foram nada rentáveis, pelo menos sob o aspecto político. Ficavam nos dizendo: se não tiver IPVA antecipado, não vai ter salário. O líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), concordou que a medida foi impopular, mas confirmou a tese levantada por Zucchi como sendo a oficial. Sabíamos que a lei do IPVA tinha ônus e bônus. O ônus é a reação. O bônus é o esforço que estamos fazendo para pagar o décimo-terceiro salário.
Rossoni disse que não tem o que fazer. Não tem solução. A lei já está aprovada. Se os outros Estados mais ricos cobram o IPVA antecipadamente, por que não o Paraná? O pagamento chegou a maio, porque nós (base aliada) pedimos esse avanço, completou Rossoni. Procurado pela Folha, o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, não retornou o recado deixado em seu telefone celular. Uma fonte ligada ao secretário disse que o mesmo não tem disposição em ceder um milímetro ao apelo de Zucchi, sob a alegação de que as alíquotas paranaenses (1% para veículos de carga e de 2,5% para carros a passeio) são mais em conta que muitas cobradas por outros Estados.
O secretário do governo, José Cid Campêlo, disse que não é legalmente possível a edição de uma medida administrativa mexendo em parte da lei. Senão muda o calendário, que está aprovado em lei, observou Campêlo, que aguardava a chegada da mensagem, da Assembléia, para prepará-la para sanção de Lerner.
Nelson Justus (PTB), presidente da Assembléia Legislativa, disse ontem por telefone que, por uma falha técnica, houve um atraso no encaminhamento da mensagem ao governo. Mas no mais tardar hoje, tudo estará lá, garantiu Justus. Além do IPVA, não chegaram ainda no Palácio para sanção a Lei Orgânica do Ministério Público, a proposta orçamentária do Paraná para 2000, e o Plano Plurianual que vai dar o tom do governo nos próximos quatro anos.Arrependidos, aliados do governo tentam melhorar projeto que muda pagamento do imposto, às vésperas da sanção
Arquivo FolhaDOIS PESOSRossoni: Sabíamos que a lei tinha ônus e bônus. O ônus é a reação. O bônus é que estamos pagando o décimo terceiro salário





