Leandro Donatti
De Curitiba
O ‘‘Grupo dos 21’’, aliados do governo na Assembléia Legislativa que se rebelaram por conta da crise financeira, fecharam ontem uma pauta de reivindicações que será entregue segunda-feira à tarde ao governador Jaime Lerner (PFL). Os deputados querem, entre outras coisas, que o governo demita parte dos 2.948 funcionários comissionados (nomeados por critérios políticos). ‘‘Isso ajudaria na recuperação das finanças’’, avaliou Durval Amaral (PFL), um dos líderes da rebelião doméstica desencadeada em meados desta semana.
Amaral disse que o grupo se propõe a dar suporte político para as demissões na Assembléia. ‘‘É uma medida antipopular, que no nosso entendimento tem de ser feita o quanto antes para não comprometer mais ainda o quadro’’, pregou Durval Amaral. A pauta elaborada pelo ‘‘Grupo dos 21’’ prevê ainda a extinção de secretarias, tidas como ‘‘obsoletas’’; a proibição de novas obras até que o governo Lerner salde seus débitos; e a participação de dois deputados no Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal (Crafe) e na comissão de privatização da Copel.
Os aliados pedem ainda um corte drástico nas despesas de custeio, um raio-x completo da crise de caixa e a implantação de um cronograma para pagar fornecedores e retomar convênios com as prefeituras. ‘‘Não estamos exigindo muito. Faltam informações e disposição do governo em nos explicar como as coisas estão caminhando’’, observou Amaral.
Procurado pela Folha, para manifestar a posição do governo diante das exigências dos aliados, o secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas disse ontem que as sugestões dos parlamentares podem ser encaradas como ‘‘medidas de austeridade financeira e fiscal’’. Sem adiantar posição, Tato disse que o governador vai avaliar a pauta ‘‘com muita prudência’’. ‘‘A mesma que já faz parte do seu estilo há mais de 30 anos’’, emendou. Tato Taborda disse que a proposta de redução no quadro de comissionados exige cautela.
‘‘Nessa hora de crise, mexer no mercado de empregos é um problema que deve ser analisado com cuidado’’, ressaltou o chefe da Casa Civil. Encarregado de fazer o meio de campo entre aliados e governo, Tato Taborda admitiu na última quinta-feira que a comunicação com os deputados tem sido falha. O secretário aposta numa conciliação dos aliados com o governo, na reunião de segunda-feira.

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