Base impede convocação de sobrinho de Nardes em CPI
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sábado, 07 de novembro de 2015
Isabela Bonfim<br> Agência Estado 
Brasília - A nova palavra de ordem dentro do governo é não causar atritos. A orientação vale, especialmente, para o relacionamento com o Tribunal de Contas da União (TCU). Após desaprovação unânime das contas presidenciais e fiscalizações para analisar a responsabilidade de Dilma Rousseff em prejuízo de R$ 2,8 bilhões na Petrobras, o governo não quer travar mais uma queda de braço.
Para evitar acirramento de ânimos com o tribunal, a base aliada sinalizou bandeira branca, na quinta-feira, no Senado, ao rejeitar requerimento para a convocação do sobrinho de Augusto Nardes, ministro do TCU, para depoimento na CPI do Carf. Entre seguidas negações, os senadores governistas acabaram rejeitando a convocação de Carlos Juliano Ribeiro Nardes, sobrinho de Augusto Nardes, ministro do TCU que deu parecer pela reprovação das contas de 2014.
Carlos Juliano é proprietário da empresa Planalto Soluções e Negócios, investigada pela Operação Zelotes. De acordo com as investigações, o sobrinho e o ministro Nardes, que já foi sócio da empresa, teriam recebido pagamentos da SGR Consultoria, acusada de corromper funcionários do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).
Durante a audiência da CPI, senadores do governo tiveram a oportunidade de fazer retaliação ao ministro que reprovou as contas presidenciais e facilitar as investigações, mas votaram unanimemente pela rejeição da convocação de Carlos Juliano. A decisão foi uma tentativa de evitar novos atritos com o TCU, que tem em mãos ações prejudiciais ao governo.
Nesta semana, o ministro José Múcio comunicou que o tribunal fará nova fiscalização para analisar a responsabilidade do conselho de administração da Petrobras na paralisação das refinarias Premium I e II. No período, o conselho era presidido por Dilma. Além disso, peças-chave do governo como o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e presidentes da Petrobras e do BNDES estão na mira do TCU e podem ser multados e responsabilizados pelas "pedaladas fiscais" praticadas no ano passado.


