Curitiba - De nada adiantou a mobilização de servidores públicos estaduais e estudantes que, durantre mais um dia, compareceram à sessão plenária da última segunda-feira para tentar barrar a votação do projeto de lei 915/2011. A invasão do plenário ocorrida na segunda-feira fez a Mesa Executiva da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná reforçar o policiamento dentro e fora do prédio, que manteve seus portões fechados durante o dia de ontem. Em sessão plenária fechada ao público, os deputados estaduais aprovaram ontem em terceira discussão o projeto de lei 915/2011, que institui as Organizações Sociais (OSs) no Estado, ou seja, permite a contratação de pessoal e trabalhos sem licitação e transfere serviços de responsabilidade do Estado para a iniciativa privada, com exceção das áreas da educação e da segurança pública. Hoje, os parlamentares votam a redação final do projeto, antes de seguir para sanção do Executivo.
Em menos de 15 dias, o projeto chegou, passou por todas as comissões e foi votado na AL. Sem as tentativas da oposição, o projeto poderia ter sido votado em ainda menos tempo. A mobilização popular não sensibilizou os parlamentares, que aprovaram o projeto, inicialmente em duas sessões extraordinárias realizadas na noite de segunda-feira. Ontem, os manifestantes ficaram do lado de fora da AL. A única forma possível de entrar nas galerias para acompanhar a votação era por meio de cinco senhas distribuídas a cada parlamentar. Com essa medida, as galerias ficaram vazias. Os deputados petistas se recusaram a participar dessa decisão. ''Eu não distribuo senhas, não estamos em uma penitenciária. Esse é um atestado de incompetência sem precedentes'', criticou Tadeu Veneri (PT).
Rossoni se explicou sobre a decisão de transferir a sessão do plenário para o plenarinho, tornando ineficaz a ocupação dos manifestantes, na noite de segunda-feira, para forçar a votação do projeto. O presidente da AL disse que agiu movido pelo regimento interno da Casa. ''Não podemos ser enxotados da nossa Casa e não fazermos as sessões normais. Como não desejávamos o confronto, fomos ao plenarinho. É um momento extremamente difícil para tomar uma decisão. Agi com cautela, com equilíbrio, dei tempo ao tempo para que a gente pudesse conversar e chegar a uma decisão para que a Casa não saísse arranhada'', afirmou.
Em pronunciamentos de deputados da base governista ontem, houve repúdio à invasão da AL. Pedro Lupion (DEM) definiu a ação como ''algazarra'' e uma ''atitude que não representa a juventude do Paraná''. Líder do governo, deputado Ademar Traiano (PSDB) classificou a ação dos manifestantes como ''radicalismo extremo'' e ''festival de irresponsabilidade''.
O projeto das OSs foi aprovado pela AL com cinco emendas. Entre elas está uma da bancada do PMDB que exclui a possibilidade de empresas estatais, como a Copel e a Sanepar, receberem serviços pelas OSs (o que segundo os peemedebistas configuraria privatização). Cesar Silvestri Filho (PPS) também propôs que as OSs comprovem pelo menos dois anos de efetivo exercício na área objeto do contrato.

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